#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.
**Capítulo 1 – A queda anunciada**
O salão do hotel de alto padrão no centro de São Paulo estava impecavelmente decorado. Luzes quentes refletiam nas taças de cristal, e o murmúrio elegante dos convidados criava uma atmosfera de celebração. Era a festa de aniversário de dez anos da empresa de tecnologia fundada por Mariana e Ricardo — pelo menos oficialmente.
Mariana observava tudo em silêncio, de pé ao lado do palco. O vestido azul escuro que usava parecia pesar mais a cada minuto. Ela não sorria. Havia algo estranho no ar naquela noite, algo que ela vinha sentindo havia semanas.
Ricardo subiu ao palco sob aplausos. Alto, bem vestido, com aquele sorriso ensaiado que sempre funcionava com investidores e convidados. Ele ergueu a taça e pediu silêncio.
— Amigos, familiares… hoje não é apenas uma comemoração. É um novo começo.
Mariana franziu o cenho.
Ao lado do palco, Larissa apareceu. Jovem, elegante, sorriso calculado. Alguns convidados se entreolharam, sem entender sua presença ali.
Ricardo continuou:
— Depois de muito pensar, decidi que é hora de seguir outro caminho. Eu e Mariana vamos nos divorciar.
O salão pareceu perder o ar por um segundo.
Mariana sentiu o corpo gelar, mas não reagiu. Apenas respirou fundo.
— E mais — continuou ele — eu e Larissa estamos juntos e vamos nos casar.
Um burburinho se espalhou imediatamente. Alguns convidados levaram a mão à boca. Outros olharam para Mariana, esperando uma reação explosiva.
Mas ela não se moveu.
Ricardo então completou, agora com um tom mais duro:
— Para que tudo seja resolvido de forma justa, Mariana já concordou em transferir sua participação na empresa para mim. Assim, evitamos conflitos desnecessários.
Foi aí que ela finalmente levantou o olhar.
“Já concordou.”
Ela não havia concordado com nada.
Ricardo desceu do palco e caminhou até ela, segurando um envelope.
— Assina aqui, Mari. É melhor pra todo mundo.
Larissa observava de longe, como se já tivesse vencido.
Mariana pegou o envelope com calma. Dentro, havia documentos de cessão de direitos da empresa. Tudo preparado. Tudo frio. Tudo planejado sem ela.
Ela sentiu algo entre a raiva e a decepção, mas sua expressão permaneceu neutra.
— Você preparou isso tudo… sem me dizer nada? — perguntou ela, baixa.
Ricardo deu de ombros.
— Não é pessoal. É só negócio. Você sempre foi emocional demais pra isso.
Algumas pessoas próximas ouviram e desviaram o olhar, desconfortáveis.
Mariana encarou o papel por alguns segundos. Então sorriu de leve.
— Engraçado… você sempre subestimou o meu lado emocional.
Ela guardou os documentos sem assinar.
Ricardo franziu o cenho.
— O que isso significa?
— Significa que eu preciso pensar.
Ele perdeu um pouco da paciência.
— Não tem o que pensar. A empresa é minha agora de qualquer forma.
Mariana levantou o olhar lentamente.
— Tem certeza disso?
O silêncio entre os dois ficou pesado.
Do outro lado da sala, um dos sócios da empresa observava tudo com atenção crescente, como se percebesse algo que os outros ainda não tinham visto.
A noite terminou em desconforto. Sorrisos forçados, despedidas rápidas, cochichos por todos os lados.
Mas Mariana não foi embora abalada.
Ela foi embora em silêncio.
E, dentro dela, algo já havia mudado.
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**Capítulo 2 – O jogo por trás do sorriso**
Na manhã seguinte, o apartamento estava silencioso. Mariana estava sentada à mesa da cozinha, diante de um café frio e de um notebook aberto.
Ela não tinha dormido.
As palavras de Ricardo ainda ecoavam na cabeça: “você sempre foi emocional demais”.
Mas Mariana não era ingênua. Nunca foi.
Ela abriu uma pasta no computador. Arquivos, contratos, registros internos da empresa. Anos de trabalho, noites sem dormir, decisões que ajudaram a construir tudo aquilo.
E então encontrou algo.
Transferências suspeitas. Contratos paralelos. Assinaturas digitais feitas em horários em que ela estava em reuniões públicas. E, principalmente, um padrão.
Ricardo vinha movendo peças havia meses.
Ela respirou fundo.
— Então é isso… — murmurou para si mesma.
O telefone tocou.
Era Bruno, antigo amigo e também um dos primeiros engenheiros da empresa.
— Mari… você viu o que aconteceu ontem?
— Vi.
Silêncio do outro lado.
— Ele enlouqueceu, né?
— Não — respondeu ela calma. — Ele só achou que já tinha vencido.
Bruno hesitou.
— Você vai fazer alguma coisa?
Mariana olhou para a tela do computador.
— Vou.
Depois de desligar, ela abriu uma gaveta e tirou um pequeno gravador antigo.
Bruno não sabia, mas havia algo que ninguém ali naquela sala do hotel percebeu.
Naquela noite da festa, Mariana não estava apenas ouvindo.
Ela estava gravando.
Ela apertou o play.
A voz de Ricardo ecoou no ambiente silencioso:
“Ela vai assinar. Sempre foi previsível.”
Depois outra voz — Larissa:
“E se ela não assinar?”
“Vai assinar. Ela depende demais da empresa pra resistir.”
Mariana fechou os olhos por um instante.
Não havia dor ali. Apenas confirmação.
Ela desligou o áudio.
— Vocês realmente não me conhecem — disse em voz baixa.
No fim da tarde, ela marcou uma reunião com o advogado da empresa, doutor Henrique.
No escritório, ele parecia nervoso.
— Mariana… isso é complicado. Se esses documentos forem válidos…
Ela interrompeu:
— Não são.
Ela colocou o gravador sobre a mesa.
— E isso aqui muda tudo.
Henrique ouviu em silêncio. A cada frase, sua expressão ficava mais séria.
Quando terminou, ele respirou fundo.
— Isso pode derrubar ele.
Mariana assentiu.
— Não quero derrubar ninguém. Só quero o que é meu.
Ele a encarou por alguns segundos.
— Você sabe que isso vai virar uma guerra, né?
Ela se levantou.
— Ele começou quando decidiu me tratar como descartável.
E saiu da sala sem olhar para trás.
Naquela noite, Ricardo recebeu uma mensagem:
“Precisamos conversar. Amanhã. Sozinhos. — Mariana”
Ele sorriu ao ler.
— Finalmente.
Larissa se aproximou.
— Ela vai assinar?
— Vai. No fim, sempre fazem isso.
Mas ele não percebeu o leve tremor na própria confiança.
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**Capítulo 3 – O silêncio que fala mais alto**
O restaurante escolhido por Mariana era discreto, longe do centro financeiro, com poucas mesas e iluminação suave. Nada que lembrasse os ambientes corporativos onde ela costumava circular.
Ricardo chegou confiante, ajustando o relógio caro no pulso.
Mariana já estava lá.
— Achei que você viria mais cedo — disse ele, sentando-se.
— Eu gosto de pontualidade — respondeu ela.
Havia algo diferente nela. Não era a mesma mulher da noite anterior.
Ele apoiou os cotovelos na mesa.
— Então… decidiu assinar?
Mariana observou o homem à sua frente por alguns segundos.
— Antes, quero te perguntar uma coisa.
— Fala.
— Em que momento você decidiu que eu era descartável?
Ricardo soltou uma risada leve.
— Não é pessoal, Mari. É evolução. Você ficou parada no tempo.
Ela assentiu lentamente.
— Engraçado… porque enquanto você “evoluía”, eu estava reconstruindo tudo o que você estava desmontando por trás.
Ele franziu o cenho.
— O que você está falando?
Ela abriu a bolsa e colocou o gravador sobre a mesa.
O sorriso dele desapareceu aos poucos.
— Você reconhece isso?
Silêncio.
Ela apertou o play.
A voz dele preencheu o espaço entre os dois.
Ricardo ficou imóvel.
Quando o áudio terminou, o ambiente parecia menor.
— Você me gravou? — ele perguntou, baixo.
— Você me deu motivos.
Ele respirou fundo, tentando recuperar o controle.
— Isso não muda nada. A empresa ainda vai ser minha.
Mariana inclinou a cabeça.
— Você tem certeza?
Ele tentou rir, mas falhou.
Ela então deslizou um documento pela mesa.
— Auditoria completa. Transferências ilegais. Uso indevido de assinatura. Tudo documentado.
O rosto dele perdeu a cor aos poucos.
— Você não faria isso…
— Eu já fiz.
Ele olhou ao redor, como se buscasse apoio no ambiente, mas estavam sozinhos.
— Você vai destruir tudo — disse ele.
Mariana respondeu com calma:
— Não. Eu só estou mostrando o que você já fez sozinho.
Ele se levantou de repente.
— Você acha que isso acaba aqui?
Ela também se levantou.
Agora estavam frente a frente.
— Não acaba — disse ela. — Só começa de verdade.
Ricardo a encarou, pela primeira vez sem arrogância.
— E Larissa?
Mariana sorriu pela primeira vez naquela conversa.
— Ela nunca foi parte do problema. Só foi parte do erro que você escolheu mostrar em público.
Ela pegou a bolsa.
— Boa sorte explicando tudo isso aos investidores amanhã.
E saiu.
Naquela noite, o salão da festa já parecia distante, quase irrelevante.
Mas o que realmente havia mudado não foi o evento.
Foi o jogo.
E, pela primeira vez, Ricardo entendeu que não estava mais jogando sozinho — e muito menos no controle.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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