#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.
CAPÍTULO 1 – O CHAMADO DA MADRUGADA
Às duas da manhã, o silêncio reinava na pequena casa de Juliana, em Campinas, interior de São Paulo.
A chuva fina batia contra as janelas enquanto Ana embalava o sobrinho, Pedrinho, de apenas quatro anos. Sua irmã havia saído para um plantão extra no hospital e lhe pedira ajuda para cuidar do menino durante a noite.
Tudo parecia tranquilo.
Até o celular vibrar.
Na tela apareceu o nome de seu marido.
Marcelo.
Ana estranhou.
Ele sabia que ela estava na casa da irmã.
Atendeu imediatamente.
— Amor? Aconteceu alguma coisa?
Do outro lado da linha, ouviu apenas a respiração acelerada dele.
Então veio a frase que fez seu coração disparar.
— Ana... saia dessa casa agora mesmo.
— O quê?
— Não faça perguntas. Pegue o Pedrinho e saia sem que ninguém perceba.
— Marcelo, você está me assustando...
— Confia em mim!
A voz dele tremia.
Marcelo nunca tremia.
— O que aconteceu?
Houve alguns segundos de silêncio.
— Eu estou indo para aí. Só saia da casa.
A ligação caiu.
Ana ficou parada.
O coração martelava no peito.
Algo estava errado.
Muito errado.
Ela colocou Pedrinho no colo.
O menino dormia profundamente.
Tentando não fazer barulho, caminhou até a porta do quarto.
Mas, quando girou a maçaneta, congelou.
A luz fraca do corredor iluminava uma figura.
Era sua irmã.
Juliana.
Parada.
Imóvel.
Observando a porta.
Ana levou um susto.
— Ju! Meu Deus! Você me assustou!
Nenhuma resposta.
Juliana permaneceu parada.
Com os olhos fixos nela.
— Você voltou do hospital?
Silêncio.
Ana sentiu um arrepio subir pela espinha.
A irmã parecia diferente.
Pálida.
Distante.
Estranha.
— Ju?
Então Juliana sorriu.
Um sorriso que não parecia dela.
— Você não deveria estar acordada, Ana.
A frase soou estranha.
Muito estranha.
— O que você quer dizer?
— Volta para o quarto.
— Não.
Juliana deu um passo à frente.
— Volta para o quarto.
Ana sentiu o medo crescer.
Aquilo não fazia sentido.
Sua irmã jamais falaria daquele jeito.
— Juliana, você está bem?
O sorriso desapareceu.
— Eu disse para voltar.
Pedrinho começou a se mexer.
Como se tivesse sentido a tensão.
Ana recuou.
Nesse instante, ouviu um barulho vindo da sala.
Passos.
Pesados.
Lentos.
Como se alguém estivesse andando dentro da casa.
Seu sangue gelou.
Juliana morava sozinha com o filho.
Não deveria haver mais ninguém ali.
— Tem alguém aqui?
Juliana não respondeu.
Os passos continuaram.
Mais próximos.
Ana sentiu o estômago revirar.
Sem pensar, fechou a porta do quarto.
Trancou.
E colocou uma cômoda contra ela.
Pedrinho acordou assustado.
— Tia...
— Calma, meu amor.
O menino esfregou os olhos.
— O que aconteceu?
— Nada. Vai ficar tudo bem.
Mas nem ela acreditava nisso.
O celular vibrou novamente.
Marcelo.
Ela atendeu imediatamente.
— Marcelo!
— Você saiu?
— Não! A Juliana está aqui!
Do outro lado houve silêncio.
Um silêncio assustador.
— Ana...
— O quê?
— Sua irmã está no hospital.
Ela sentiu o mundo girar.
— Não.
— Eu estou falando sério.
— Eu acabei de vê-la!
— Não viu.
O coração de Ana disparou.
— Marcelo...
— Escuta com atenção. Juliana sofreu um acidente há três horas. Ela está internada.
Ana começou a tremer.
Olhou para a porta.
Alguém bateu.
Três vezes.
Toc.
Toc.
Toc.
Devagar.
— Ana... — chamou uma voz.
A voz de Juliana.
— Abra a porta.
As lágrimas surgiram instantaneamente.
— Marcelo...
— Não abra.
Nova batida.
— Ana...
Outra.
— Eu sei que você está aí.
Marcelo parecia desesperado.
— Eu estou chegando. Faltam cinco minutos.
— Tem alguém lá fora.
— Não abra.
Então veio a frase que destruiu qualquer resquício de coragem.
— Porque o que está aí fora não é sua irmã.
Ana sentiu as pernas fraquejarem.
Do lado de fora, a voz continuava.
Calma.
Suave.
Quase carinhosa.
— Ana...
— Abra a porta.
Pedrinho começou a chorar.
E naquele instante a maçaneta começou a girar lentamente.
Como se alguém tentasse entrar.
E então a luz do quarto apagou.
Completamente.
Mergulhando tudo na escuridão.
E Ana percebeu que a verdadeira madrugada de terror estava apenas começando...
CAPÍTULO 2 – SEGREDOS ESCONDIDOS
A escuridão tomou conta do quarto.
Pedrinho abraçou Ana com força.
— Tia, estou com medo...
Ela também estava.
Talvez mais do que nunca.
A maçaneta continuava girando.
Lentamente.
Como se alguém soubesse que eles estavam ali.
Esperando.
Brincando com o medo deles.
Então o celular iluminou o ambiente.
Marcelo permanecia na ligação.
— Ana, me escuta.
— Estou ouvindo.
— Tem uma janela?
— Sim.
— Dá para sair?
Ela correu até lá.
Abriu a cortina.
O quintal estava vazio.
Mas algo chamou sua atenção.
Um carro.
Era o carro de Marcelo.
Ele já havia chegado.
— Eu estou vendo você!
— Então venha.
Mas Marcelo não se moveu.
Pelo contrário.
Parecia aterrorizado.
— Não consigo entrar.
— O quê?
— Tem alguém parado na frente da casa.
Ana sentiu o coração disparar.
— Quem?
— Eu não sei.
O rosto dele estava pálido.
— Mas essa pessoa está olhando para mim desde que cheguei.
Nesse momento, os passos no corredor cessaram.
Silêncio absoluto.
Então ouviram uma gargalhada infantil.
Pedrinho congelou.
— Mamãe?
Ana sentiu um choque.
A voz parecia vir da sala.
Mas Juliana não estava ali.
Não podia estar.
Marcelo respirou fundo.
— Preciso te contar uma coisa.
— Agora?
— Sim.
— Fala!
— Juliana descobriu algo.
Ana permaneceu em silêncio.
— Descobriu o quê?
— Há algumas semanas ela começou a investigar uma antiga casa abandonada perto do hospital.
— O que isso tem a ver?
— Pessoas desapareciam por lá.
Ana sentiu um arrepio.
— Isso é loucura.
— Eu também achei.
— E depois?
— Ela encontrou documentos.
— Que documentos?
— Registros de crianças desaparecidas há mais de vinte anos.
O quarto parecia ficar mais frio.
— Marcelo...
— Algumas dessas crianças tinham ligação com famílias da região.
— Não estou entendendo.
— Nem eu entendia.
— Até hoje.
— Hoje?
— Quando Juliana sofreu o acidente.
Ana ficou sem ar.
— Não foi acidente?
— A polícia acha que não.
Antes que pudesse responder, algo bateu violentamente na porta.
BAM!
Pedrinho gritou.
Outro impacto.
BAM!
A cômoda deslizou alguns centímetros.
Ana segurou o menino.
Desesperada.
— Marcelo!
— Eu estou entrando.
A ligação caiu.
Ana correu para a janela.
Viu Marcelo atravessando o portão.
Nesse instante, a porta do quarto explodiu para dentro.
A cômoda foi arremessada.
Ana fechou os olhos.
Mas quando os abriu...
Não havia ninguém.
O corredor estava vazio.
Completamente vazio.
O silêncio era ainda pior.
Então uma voz surgiu atrás dela.
— Tia...
Ela se virou.
Pedrinho apontava para o espelho do guarda-roupa.
Ana acompanhou o gesto.
E sentiu o sangue congelar.
No reflexo do espelho havia uma mulher.
Parada atrás deles.
Uma mulher que não estava no quarto.
Mas aparecia perfeitamente refletida.
Vestida com uniforme hospitalar.
Machucada.
Sangrando.
Era Juliana.
A verdadeira Juliana.
E ela repetia apenas uma frase.
— Não deixem ele entrar.
Ana ficou sem entender.
— Quem?
Juliana apontou para a porta.
E desapareceu.
No mesmo instante, ouviram a campainha tocar.
Marcelo havia chegado.
Mas a pergunta ecoava na mente de Ana.
Se Juliana estava tentando avisá-la...
Quem era o verdadeiro perigo?
E por que ela tinha dito para não deixar alguém entrar?
CAPÍTULO 3 – A VERDADE QUE NINGUÉM ESPERAVA
A campainha continuava tocando.
Insistente.
Desesperada.
Ana olhou pela janela.
Era Marcelo.
Ou pelo menos parecia ser.
Mas as palavras de Juliana ecoavam em sua mente.
"Não deixem ele entrar."
Seu coração estava dividido.
Confiar no marido.
Ou confiar no aviso impossível que acabara de receber?
— Tia...
Pedrinho segurou sua mão.
— Estou com medo do tio Marcelo.
Ana se assustou.
— Por quê?
— Porque ele não é igual.
O menino começou a chorar.
— O rosto é igual.
Mas não é ele.
Aquelas palavras atingiram Ana como um raio.
Ela voltou a observar pela janela.
Marcelo continuava parado.
Imóvel.
Sem piscar.
Sem demonstrar emoção.
Aquilo não parecia normal.
Seu telefone tocou novamente.
O número era desconhecido.
Ela atendeu.
— Alô?
Uma voz fraca respondeu.
— Ana...
Ela reconheceu imediatamente.
Juliana.
— Ju?!
— Escuta...
A voz parecia distante.
— Não abra a porta.
— O que está acontecendo?
— Eles descobriram que eu encontrei os registros.
— Quem são eles?
— Pessoas influentes.
Pessoas que esconderam crimes durante décadas.
Ana ficou em choque.
— Marcelo está envolvido?
Silêncio.
Então veio a resposta.
— Sim.
O mundo dela desabou.
— Não...
— Eu sinto muito.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Ana.
— Ele se aproximou de você porque precisava saber o que eu tinha descoberto.
— Isso não é verdade...
Mas, no fundo, algumas peças começaram a se encaixar.
Os desaparecimentos.
O suposto acidente.
O comportamento estranho.
Tudo fazia sentido.
Lá fora, Marcelo ergueu lentamente o rosto.
E sorriu.
Um sorriso frio.
Desconhecido.
Assustador.
— Ana! — ele gritou. — Abra a porta!
Ela deu um passo para trás.
— Não.
— Eu posso explicar!
— Não!
A voz dele mudou.
Ficou agressiva.
— Abra essa porta agora!
Pedrinho começou a chorar novamente.
A campainha parou.
O silêncio tomou conta da casa.
Então um som de vidro quebrando ecoou nos fundos.
Marcelo havia entrado.
Ana correu para a cozinha com o menino.
Precisava sair.
Precisava sobreviver.
Abriu a porta dos fundos.
A chuva caía forte.
Ela correu pelo quintal.
Pedrinho nos braços.
Atrás deles ouviu passos.
Marcelo.
Cada vez mais perto.
— ANA!
Ela atravessou o portão lateral.
Correu para a rua.
Nesse instante, sirenes surgiram ao longe.
Viaturas.
Muitas viaturas.
Marcelo parou.
Tentou fugir.
Mas foi cercado.
A polícia já o investigava graças às informações reunidas por Juliana.
Tudo veio à tona.
Os documentos.
As ameaças.
As conexões criminosas.
Meses depois, Juliana se recuperou.
Lentamente.
As investigações continuaram.
Muitas famílias finalmente descobriram a verdade sobre desaparecimentos que haviam permanecido sem resposta por décadas.
Numa tarde ensolarada, Ana observava Pedrinho brincar no quintal.
Juliana sentou-se ao seu lado.
— Acabou.
Ana sorriu.
— Finalmente.
As duas permaneceram em silêncio por alguns segundos.
Então Juliana perguntou:
— Você ainda pensa naquela noite?
Ana olhou para o céu.
— Todos os dias.
— E acredita no que viu?
Ana lembrou do espelho.
Da aparição.
Do aviso.
Da voz.
— Não sei explicar.
Juliana segurou sua mão.
— Talvez algumas verdades encontrem um jeito de aparecer.
Ana sorriu.
Mas, naquele instante, um arrepio percorreu seu corpo.
Porque, refletido na janela da sala, por uma fração de segundo, ela teve a impressão de ver uma figura observando as duas.
Uma figura que desapareceu no instante seguinte.
E ela jamais soube se aquilo era apenas uma lembrança...
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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