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A minha amante apareceu na empresa grávida, jogou uma xícara de café em cima de mim e anunciou em alto e bom som que ela era a futura patroa. Eu não fiquei com raiva, só pedi para a secretária ligar a gravação das câmeras de segurança da noite anterior. O vídeo mal tinha começado a rodar e ela já saiu correndo desesperada...

#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.


CAPÍTULO 1

O ar condicionado da Consultoria Empresarial Silva e Vasconcelos, situada em um edifício comercial de vidro fumê na agitada Avenida Paulista, em São Paulo, sempre funcionou no limite do gelo. Naquela terça-feira cinzenta de garoa fina, contudo, o clima dentro da minha sala executiva estava prestes a congelar de vez. Eu, Clara Silva, sócia-diretora e fundadora daquela empresa que levei quinze anos para erguer do zero, revisava um balanço financeiro trimestral quando a porta pesada de mogno foi aberta de supetão. Não houve batida prévia, nem mesmo o recato habitual da minha secretária, Márcia.

Levantei os olhos dos gráficos com um suspiro contido, pronta para repreender a falta de protocolo. Mas as palavras morreram na minha garganta.

Lá estava Larissa. Vestia um vestido justo de malha amarela que marcava com insolência uma barriga saliente de, pelo menos, seis ou sete meses de gestação. O cabelo loiro descolorido estava preso em um rabo de cavalo alto, e seu rosto ostentava uma maquiagem pesada, borrada pelo suor e pela pressa. Na mão direita, ela segurava um copo térmico de papelão de uma cafeteria famosa, transbordando um líquido marrom e fumegante.

Antes que eu pudesse articular qualquer som — um "quem é você?" ou "como ousa entrar aqui?" —, Larissa avançou passos largos em direção à minha mesa de mogno maciço. O cheiro de café queimado misturado com um perfume barato invadiu o ambiente.

— Você achou que ia ficar escondida na sua salinha com ar-condicionado, né, sua dondoca arrogante? — gritou ela, a voz estridente ecoando pelas paredes acústicas, atraindo olhares curiosos de funcionários que começavam a se amontoar no vão de vidro da entrada.

Eu permaneci sentada, a espinha ereta, as mãos apoiadas sobre a madeira fria. O meu silêncio pareceu enfurecê-la ainda mais.

— Olha bem para mim! — continuou Larissa, apontando a própria barriga com a mão livre, em um gesto teatral que parecia ensaiado na frente do espelho. — Olha o fruto do amor do Rodrigo comiga! Ele já me prometeu tudo. Disse que esse escritório vai ser meu, que ele vai te chutar daqui com uma mão na frente e outra atrás, porque você é uma mulher seca, fria, que só pensa em trabalho! A futura patroa desta porcaria toda sou eu!

O nome de Rodrigo ressoou na sala. Rodrigo, meu marido e sócio minoritário, com quem sou casada há doze anos. Nos últimos meses, as ausências dele em jantares de negócios, as desculpas esfarrapadas sobre reuniões em Campinas e o distanciamento emocional já haviam acendido todos os alarmes na minha mente de mulher traída. Mas ver a materialidade da traição ali, escancarada sob a forma de uma jovem desequilibrada gritando histericamente no meio da minha empresa, ativou um mecanismo milenar de sobrevivência dentro de mim. O sangue ferveu, mas a mente gelou. Uma paz gélida e assustadora tomou conta dos meus pensamentos.

— Terminou o seu espetáculo de circo barato, Larissa? — perguntei com uma voz calma, sussurrada, mas cortante como uma lâmina de barbear.

A resposta dela veio em forma de líquido fervente.

Com um movimento brusco, Larissa virou o copo térmico em minha direção. O café quente espirrou pelo meu blazer de alfaiataria cinza-claro, manchando a gola e escorrendo pelo meu peito. O calor queimou levemente a minha pele através da blusa de seda, mas eu não me mexi. Nem um músculo do meu rosto se contorceu. Os funcionários na porta prenderam a respiração; alguns abafaram gritos de choque com as mãos.

Larissa abriu um sorriso triunfante, achando que havia me destruído.

— Isso é só um aviso para você aprender a respeitar quem vai mandar aqui! — esbravejou ela, empinando o queixo.

Apoiei lentamente as palmas das mãos na mesa e me levantei. Minha postura impecável fazia o contraste perfeito com a desorganização emocional dela. Olhei nos olhos daquela jovem que acreditava estar segurando o troféu da vitória e percebi o quanto ela era ignorante sobre a teia em que havia se metido. Rodrigo não era um homem apaixonado; ele era um estrategista covarde, e Larissa era apenas um peão descartável em um tabuleiro muito maior.

— Márcia — chamei, sem desviar os olhos de Larissa. A minha secretária, pálida e trêmula, deu um passo à frente no vão da porta. — Por favor, entre. E ligue o monitor central na gravação das câmeras de segurança de ontem à noite, exatamente a partir das vinte e três horas.

O sorriso no rosto de Larissa vacilou por uma fração de segundo. Um vinco de confusão formou-se entre suas sobrancelhas pintadas.

CAPÍTULO 2


O silêncio que se instalou na sala executiva tornou-se denso, quase palpável. Apenas o zumbido sutil do sistema de climatização e o clique rápido dos dedos de Márcia no teclado do computador principal quebravam a tensão. Na tela de LED de setenta polegadas fixada na parede lateral, a imagem nítida em alta definição começou a carregar.

Os rostos dos funcionários curiosos aglomerados no corredor esticaram-se para tentar enxergar o monitor. Larissa, que segundos antes parecia a dona do mundo, deu um passo involuntário para trás, seus olhos correndo da minha expressão impassível para a tela preta que começava a ganhar cor.

— Que palhaçada é essa? — tentou ela recuperar o fôlego e a marra, embora sua voz já saísse um tom mais fina e trêmula. — Você acha que vai me assustar com videozinho caseiro? Eu tô grávida do dono disso aqui! Tenho direitos!

— Direitos são conquistados na Justiça, Larissa, e não no grito — respondi, ajeitando calmamente os punhos do meu blazer manchado de café, ignorando a umidade incômoda na roupa. — Mas já que você fez questão de vir aqui expor a sua vida, a minha e o futuro do seu filho, achei justo que todos os presentes conheçam a verdadeira face do homem que te prometeu o mundo.

A tela da televisão piscou e exibiu a data e a hora exatas: ontem, 22 de junho, às 23h15.

A câmera de segurança posicionada no saguão privativo da nossa cobertura na Zona Sul de São Paulo capturou imagens cristalinas. O ambiente estava iluminado apenas pela luz indireta dos abajurs de design e pelo brilho da cidade refletido nas janelas panorâmicas. Na cena, Rodrigo aparecia de pé, vestindo seu terno sem gravata, gesticulando de forma nervosa com um telefone celular colado ao ouvido.

O áudio, captado pelos microfones de alta sensibilidade do sistema, começou a ser reproduzido com perfeição acústica. A voz de Rodrigo soou clara, preenchendo a sala da empresa e ecoando pelo corredor:

"Eu não quero saber, Lívia! Quer dizer, Larissa! Pelo amor de Deus, some da minha frente com essa história! Você acha que eu vou largar a Clara e o patrimônio dela para assumir filho de garota de programa? Você apareceu na minha vida para dar uma facilitada nas minhas viagens, não para estragar meu casamento!"

Na sala, um murmúrio coletivo irrompeu entre os funcionários. Márcia abaixou a cabeça, constrangida, enquanto os cochichos corriam como fogo em capim seco.

No vídeo, a imagem de Larissa — ou melhor, a representação de sua voz no viva-voz do celular de Rodrigo — continuava a ser reproduzida através da gravação de uma ligação que ela mesma havia feito para ele minutos antes daquela discussão. Ouviu-se a voz chorosa de Larissa no viva-voz do celular de Rodrigo, implorando por dinheiro, ameaçando vir à empresa caso ele não transferisse cem mil reais para a conta dela imediatamente.

E então, o ápice da gravação na tela.

Vemos Rodrigo na sala de estar da nossa cobertura, abrindo o cofre embutido atrás de um quadro de Tarsila do Amaral. Ele retira um maço volumoso de dinheiro em espécie e joga sobre o aparador, dizendo para o próprio telefone: "Aqui tem trinta mil. É tudo o que eu tenho em dinheiro vivo agora. Pega isso, some de São Paulo, vai para o interior, faz o que quiser com essa gravidez, mas nunca mais ouse ligar para a minha casa ou aparecer na minha frente, ou eu acabo com a tua raça. Eu nunca amei você, sua otária. Foi só uma transa de fim de semana em um motel de rodovia."

Na sala da empresa, a cor sumiu totalmente do rosto de Larissa. Seus lábios tremiam descontroladamente. A barriga saliente, que antes parecia um estandarte de vitória, agora parecia um fardo pesado demais para ela carregar.

— Não... isso... isso é mentira! — gaguejou Larissa, dando mais dois passos para trás até esbarrar na parede de vidro. — Ele me ama! Ele disse que ia divorciar! Ele falou que você era uma megera fria!

— Ele pode até achar que eu sou fria, Larissa — falei, dando um passo à frente, impondo minha presença com a autoridade de quem construiu cada tijolo daquele império. — Mas burra eu nunca fui. O Rodrigo esqueceu de um pequeno detalhe: o cofre da nossa casa está integrado ao sistema de segurança inteligente que eu mesma projetei para a consultoria. Cada palavra, cada centavo, cada humilhação que ele despejou sobre você ontem à noite foi gravada, catalogada e armazenada em nuvem com backup duplo.

Larissa olhou para a porta. Os funcionários a encaravam com uma mistura de repulsa, pena e julgamento. A aura de futura patroa havia evaporado, substituída pela nua e crua humilhação de quem percebeu tarde demais que foi usada como peão e descartada como lixo.

CAPÍTULO 3


O pânico que tomou conta de Larissa era palpável. Seus olhos correram desesperados pelos rostos ao redor, buscando qualquer sinal de solidariedade que não existia. Os murmúrios dos funcionários formavam um zumbido contínuo, uma parede sonora de reprovação e escárnio.

— Você... você é um monstro! — balbuciou Larissa, a voz estrangulada pelas lágrimas quentes que finalmente começaram a romper a maquiagem, formando sulcos escuros em suas bochechas. — Ele disse que ia resolver tudo... ele disse que...

— O Rodrigo é um homem patético que adora brincar de ser dono de um império que nunca soube construir sozinho — cortei com frieza, cruzando os braços na altura do peito, mantendo o olhar fixo nela. — E você, Larissa, foi avisada. Quem joga o jogo dos outros sem saber as regras, acaba servindo apenas de capacho. Agora, faça um favor a si mesma e à sua dignidade: pegue o que sobrou da sua pose e saia da minha empresa antes que eu mesma disque o número da polícia por invasão de domicílio privado e tentativa de extorsão.

A menção à polícia funcionou como um gatilho definitivo. Larissa deu meia-volta com tanta violência que quase tropeçou nos próprios sapatos de salto alto. Com o rosto coberto pelas mãos, soluçando alto, ela empurrou os funcionários que bloqueavam o corredor e disparou em direção aos elevadores sociais, desaparecendo no labirinto de escritórios do prédio comercial sob os olhares atônitos de quem presenciava o fim de uma farsa.

O silêncio que se seguiu na minha sala foi pesado, cortante. Virei-me lentamente para a porta, onde Márcia e os demais colaboradores ainda se mantinham estáticos.

— O espetáculo acabou, pessoal — falei em tom firme, mas sem alterar a voz. — Voltem todos aos seus postos de trabalho. Temos relatórios para fechar e clientes para atender. Márcia, por favor, entre e feche a porta.

A secretária obedeceu prontamente, deslizando a porta de mogno e trancando-a pelo lado de dentro. Ela me olhou com uma mistura de admiração e cautela.

— Dona Clara... a senhora está bem? Quer que eu chame um médico por causa do café... e por tudo isso?

— Estou perfeitamente bem, Márcia — respondi, pegando um lencinho de papel sobre a mesa para remover o resto da mancha de café na gola do blazer. — O café estava frio demais para me queimar de verdade. E quanto ao resto... certas limpezas na vida exigem que a gente coloque a mão na massa, ou melhor, que deixe os outros mostrarem quem realmente são.

Dei meia-volta e caminhei até a janela panorâmica, observando a garoa miúda cair sobre a cinzenta e implacável Avenida Paulista. O trânsito fluía lá embaixo em uma sinfonia caótica de buzinas e faróis acesos.

Eu sabia que, quando a noite caísse e eu voltasse para casa, encontraria Rodrigo acuado, talvez tentando inventar mais uma desculpa patética ou preparando as malas para fugir com o rabo entre as pernas. Mas eu não sentia medo, tampouco dor. A traição física e emocional havia sido dolorosa nos primeiros meses de suspeita, mas o momento da revelação transformara toda a mágoa em uma lucidez cirúrgica. O patrimônio da empresa estava protegido por contratos sólidos em meu nome; o acordo pré-nupcial que assinei há doze anos garantia que qualquer desvio de conduta por parte dele resultaria na perda total de seus direitos societários.

Rodrigo achava que estava me manipulando, mantendo uma amante e planejando me dar um golpe silencioso. No fim das contas, foi a própria ganância dele — unida à imprudência daquela jovem iludida — que cavou a cova do seu próprio casamento e da sua carreira corporativa.

Encostei o vidro frio na testa, sentindo o pulso firme da minha própria independência pulsar em minhas veias. O império que construi não seria derrubado por traições baratas ou lágrimas de ocasião. A patroa daquela história sempre fui eu, e dali em diante, as regras do jogo seriam ditadas exclusivamente pelos meus termos.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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