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Ele estava prestes a perder a razão bem no meio do cemitério, logo depois de enterrar a esposa. Foi então que o celular dele vibrou: era uma mensagem do banco, vinda da conta dela, com um conteúdo que o deixou completamente paralisado…

Capítulo 1 – O choque no cemitério


Elías Martins estava parado no cemitério São João, nos arredores de Rio de Janeiro, e a neblina do amanhecer descia sobre o cemitério como um véu frio e pesado. Suas mãos tremiam enquanto segurava a pá, terminando de cobrir a sepultura de Maria, sua esposa de trinta anos. Cada pá de terra parecia enterrar também uma parte de sua própria vida. Ele lembrava dos dias simples em Minas Gerais, quando juntos cuidavam das vacas leiteiras e sonhavam em construir uma vida melhor. Depois, vieram os anos na cidade, a busca por novas oportunidades, o pequeno apartamento em Copacabana, e o sorriso sereno de Maria sempre presente nos cafés da esquina.

O coração de Elías estava num turbilhão de dor e confusão. “Por que ela se foi tão rápido?” murmurava para si mesmo, a voz embargada pelo vento frio que soprava do mar. O aroma das flores recém-colocadas sobre o túmulo, o som distante das ondas na Baía de Guanabara e o sussurrar das folhas agitadas pelos ventiladores de vento criavam um ambiente surreal, quase espectral. Ele sentiu seu corpo quase ceder diante da imensidão do luto.

Então, o telefone vibrou no bolso do paletó. O som cortou sua atenção e o fez tremer ainda mais. Ele puxou o aparelho com mãos trêmulas, e a luz da tela iluminou seu rosto pálido. Uma mensagem do banco, do conta de Maria, bloqueada há meses, surgiu na tela. O coração de Elías disparou.

— Não pode ser… — sussurrou, engolindo em seco.

A mensagem dizia:
"O valor de R$ 3.000.000 foi transferido para a conta de Elías Martins. A transação foi realizada de acordo com instruções da Sra. Maria Martins antes de seu falecimento."

Elías caiu para trás em um banco próximo, sentindo as pernas falharem. Três milhões de reais. Três milhões! Maria, sempre tão reservada e meticulosa, como poderia ter preparado algo assim? Não havia notas explicativas, nem recado pessoal. Um frio percorreu sua espinha, misturado com uma sensação de mistério que o deixava tanto apreensivo quanto curioso.

— Maria… — murmurou, tocando o espaço vazio ao seu lado, como se pudesse sentir sua presença. — Por que isso? O que você quer que eu faça?

O luto e o choque começaram a se misturar com uma espécie de urgência. Elías sabia que precisava descobrir o motivo dessa transferência. Chegando em seu apartamento em Copacabana, ele começou a revistar as coisas de Maria: gavetas, caixas de lembranças, livros antigos. Entre fotos antigas e cartas esquecidas, encontrou um envelope amarelecido, com a caligrafia familiar de Maria. Dentro, uma carta com tinta borrada dizia:

"Elías, se você está lendo isso, significa que parti. Sei que ficará triste, mas precisa usar este dinheiro para realizar aquilo que sempre sonhamos. Não deixe o medo te prender. O amor não termina com a morte."

O coração de Elías acelerou. Ele se lembrou imediatamente do sonho antigo de ambos: abrir um café aconchegante no Jardim Botânico, um local para servir o melhor café brasileiro e apoiar jovens músicos e artistas. A ideia parecia impossível naquele momento de dor, mas a carta de Maria lhe dava coragem.

— Eu vou fazer isso… por nós. — disse ele em voz alta, com os olhos marejados.

O capítulo termina com Elías olhando para a carta em silêncio, com lágrimas escorrendo e uma sensação estranha de esperança surgindo no meio do luto.

Capítulo 2 – Entre memórias e decisões


Nos dias que se seguiram, Elías mergulhou em uma rotina intensa. Visitou o banco para confirmar a transação e garantir que o dinheiro realmente estava disponível. Enquanto isso, começou a procurar o ponto perfeito no Jardim Botânico para abrir o café, explorando ruas arborizadas e conversando com moradores locais. Cada passo parecia mais difícil do que o anterior. Cada esquina lembrava Maria: o riso dela, o cheiro do perfume que ela usava, o jeito como ela ajeitava o cabelo enquanto falava.

— Você está seguro de que quer fazer isso sozinho, Elías? — perguntou Carla, sua vizinha e amiga de longa data, que vinha acompanhando o processo desde o funeral.
— Eu não tenho escolha, Carla. Se não fizer agora… — ele respirou fundo — …se não fizer agora, nunca vou conseguir. Maria… ela confiou em mim.

Elías começou a planejar cada detalhe: o cardápio, a decoração, os horários. Mas, à noite, antes de dormir, a carta de Maria o visitava em sonhos. Ele se via conversando com ela, como se ela ainda estivesse viva:

— Você consegue, meu amor. — dizia a voz etérea de Maria. — Faça isso pelo nosso sonho.

Enquanto isso, uma ansiedade inesperada começou a crescer. Alguns dias após receber a transferência, um telefonema estranho do banco deixou Elías apreensivo.

— Sr. Martins? — a voz do outro lado era formal demais. — Notamos uma atividade incomum na conta de sua falecida esposa. Pode confirmar a origem do senhor?

Elías engoliu em seco. — A transferência foi autorizada por Maria antes de falecer… — disse ele, a voz trêmula.
— Entendo, Sr. Martins. Apenas estamos apenas confirmando a legitimidade da transação. — disse o atendente, desligando rapidamente.

Elías se sentiu pressionado, mas também determinado. Ele sabia que ninguém poderia impedir seu plano, pois Maria lhe confiara a missão de realizar o sonho que ambos compartilhavam. Ele começou a organizar uma pequena festa de inauguração, convidando amigos, vizinhos e músicos locais. Cada detalhe era pensado para refletir o amor por Maria e pelo Brasil: samba, café fresco, doces típicos, cores vivas nas paredes.

— Vamos abrir o café amanhã, Elías! — disse Carla animada. — Vai ser lindo!
— É o nosso sonho, Maria… eu prometo que vai ser perfeito. — murmurou, como se conversasse com a esposa ausente.

Capítulo 3 – O café e a vida que recomeça


O grande dia chegou. Elías abriu as portas do café, chamado de Coração do Jardim, logo pela manhã. O sol brilhava entre as árvores do Jardim Botânico, e uma brisa suave levava o aroma do café recém-passado pelas ruas próximas. Músicos de samba se preparavam para tocar, e os primeiros clientes chegavam curiosos. O coração de Elías batia acelerado, mistura de nervosismo e alegria.

— Bom dia! — disse ele, recebendo o primeiro cliente com um sorriso tímido. — Bem-vindo ao Coração do Jardim. Espero que goste.

As horas passaram, e o café rapidamente ganhou movimento. Risos, conversas, música e o cheiro de pão de queijo fresco enchiam o ambiente. Elías servia mesas com cuidado, lembrando-se de cada detalhe que Maria amava. E, em meio a toda a agitação, ele sentiu algo extraordinário: parecia que Maria estava ali, ao seu lado, nos gestos e sorrisos das pessoas, na luz do sol refletida sobre as xícaras de café.

— Este café é incrível! — disse um cliente. — É acolhedor e cheio de vida!

Elías sorriu, sentindo o coração leve. Finalmente, ele entendeu a mensagem da carta: a morte de Maria não era o fim, mas um convite para viver plenamente. Ele caminhou até o fundo do café, olhou para a pequena foto dela na parede e murmurou:

— Obrigado, meu amor. Prometo que vamos fazer isso juntos. Sempre.

Enquanto o dia avançava, o café se tornou um ponto de encontro para amigos, vizinhos e jovens artistas. Samba, café e histórias se entrelaçavam, criando uma atmosfera mágica que refletia o espírito vibrante de Rio de Janeiro. Elías sentiu que Maria estava viva em cada canto daquele lugar, e que finalmente, a dor se transformara em força, e o luto em amor e propósito.

E assim, no Coração do Jardim, entre risos, música e aromas de café, Elías descobriu que a vida pode continuar, e que sonhos compartilhados podem resistir até mesmo à morte.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.

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