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Ao entrar em uma mansão para fazer uma entrega, o entregador ficou em choque ao ver um retrato fúnebre idêntico à sua esposa. Um segredo sombrio começou a se revelar, colocando-o diante de uma verdade que ele nunca imaginou…

Capítulo 1 – O Retrato que Não Deveria Existir


João Pedro sentiu o estômago se contrair no exato momento em que seus olhos encontraram o retrato. O mundo ao redor pareceu perder o som. O ar da sala ficou pesado, quase sufocante.

— Não… isso não é possível — murmurou, dando um passo para trás.

O quadro em preto e branco mostrava o rosto de uma mulher jovem, envolto por flores claras, com uma expressão serena demais para alguém que não estava viva. Cada traço era idêntico. O formato dos olhos, a curva suave dos lábios, até a pequena marca perto da sobrancelha esquerda. Era Ana. Sua esposa. A mulher que ele havia enterrado no coração três anos antes, quando ela desapareceu sem deixar explicações.

João passou a mão pelo rosto, tentando acordar daquele pesadelo acordado.

— Eu estou ficando louco… — sussurrou.

— O senhor está bem?

A voz feminina atrás dele o fez se virar num sobressalto. A mulher elegante que o recebera estava parada à porta da sala, observando-o com atenção calculada.

— Quem… quem é essa mulher? — João perguntou, apontando para o retrato, a voz falhando.

Ela respirou fundo antes de responder.

— O nome dela é Ana Luísa Montenegro.

João sentiu as pernas fraquejarem.

— Não. Esse é o nome da minha esposa. Ou pelo menos… o nome que ela usava comigo.

A mulher se aproximou lentamente.

— Meu nome é Helena. Sou a administradora desta casa. E eu já esperava que esse momento fosse difícil para o senhor.

— Difícil? — João riu nervosamente. — A senhora tem um retrato fúnebre da minha esposa na parede e chama isso de “difícil”?

Helena fez um gesto para que ele se sentasse no sofá antigo. João resistiu por um segundo, mas acabou cedendo. O coração batia rápido demais.

— Ana Luísa nasceu nesta mansão — começou Helena. — Ela era a herdeira legítima da família Montenegro. Mas também foi a que mais sofreu aqui dentro.

João balançou a cabeça, confuso.

— Ana me disse que cresceu em cidade pequena, que os pais morreram cedo…

— Tudo isso fazia parte da história que ela criou para sobreviver — interrompeu Helena, sem dureza. — Quando jovem, Ana descobriu segredos graves envolvendo os negócios da família. Coisas que ninguém lá fora poderia saber. Ela fugiu. Mudou de nome. Mudou de vida.

João fechou os olhos. Lembrava-se de Ana acordando assustada à noite, de silêncios longos quando ele perguntava sobre o passado.

— Então… ela voltou? — perguntou, quase sem voz.

Helena assentiu.

— Meses antes de desaparecer, ela retornou para resolver o que ficou para trás. Queria justiça. Queria liberdade de verdade.

— E o que aconteceu com ela? — João levantou-se de novo, agora com raiva contida. — Onde ela está?

O silêncio se estendeu entre os dois. Helena caminhou até um aparador e pegou uma pequena caixa de madeira.

— Oficialmente, Ana Luísa morreu naquela noite — disse, entregando a caixa a João.

Ele abriu com as mãos trêmulas. Dentro, estava o anel de casamento deles e uma carta dobrada.

— Ela deixou isso para o senhor — completou Helena. — Porque sabia que um dia você viria.

João segurou a carta como se fosse algo frágil demais para existir. A verdade começava a se formar, cruel e inevitável.

Capítulo 2 – A Carta e o Peso da Verdade


João demorou alguns segundos antes de conseguir abrir a carta. As palavras de Ana pareciam pulsar no papel.

“Meu amor,
Se você está lendo isso, é porque o passado finalmente me alcançou… e levou você até ele.”

A voz dela ecoava na mente dele enquanto lia.

“Eu quis ser só a Ana que você conheceu. A mulher simples, que fazia café forte e ria das coisas pequenas. Mas meu nome verdadeiro sempre foi uma sombra atrás de mim.”

João sentou-se novamente, sentindo o peso da revelação.

— Ela sabia que isso ia acontecer — murmurou.

— Sim — confirmou Helena. — Ana planejou tudo para que o senhor estivesse seguro.

Na carta, Ana explicava que a família jamais permitiria que ela fosse embora de vez. Sua “morte” era a única saída. Legalmente, Ana Luísa Montenegro não existia mais.

— Então ela está viva? — João perguntou, olhando fixamente para Helena.

A mulher hesitou.

— Eu não posso confirmar isso. Só posso dizer que ela fez escolhas difíceis para proteger quem amava.

João sentiu uma mistura de alívio e dor. Saber que Ana poderia estar viva reacendia a esperança, mas também tornava a ausência ainda mais cruel.

— Por que eu? — ele perguntou, com a voz embargada. — Por que me envolver nisso tudo?

— Porque o senhor foi a única vida verdadeira que ela teve — respondeu Helena. — Aqui, Ana era apenas um sobrenome. Com o senhor, ela foi alguém.

A mansão parecia mais escura agora. Cada retrato nas paredes parecia observar João em silêncio.

— E esse pacote? — ele lembrou, olhando para a encomenda que ainda segurava. — O que tem dentro?

Helena sorriu de leve.

— Apenas documentos antigos. Nada que diga respeito ao senhor. A entrega foi só o pretexto.

João respirou fundo. Entendeu, naquele momento, que jamais teria respostas completas. O passado de Ana era maior do que qualquer explicação simples.

— Eu só queria uma despedida — disse ele. — Uma de verdade.

Helena se aproximou e colocou a mão em seu ombro.

— Às vezes, amar alguém significa aceitar o silêncio que essa pessoa deixa.

Quando João saiu da mansão, o céu já estava escurecendo. Ele caminhou pelo jardim descuidado, sentindo que deixava ali não apenas uma casa, mas uma versão da própria vida.

Capítulo 3 – O Silêncio que Fica


João deixou São Paulo poucas semanas depois. Mudou-se para uma cidade pequena no Nordeste, perto do mar. Precisava de espaço, de vento no rosto, de dias que não lembrassem mansões antigas e retratos impossíveis.

Trabalhava menos, caminhava mais. À noite, lia a carta de Ana como quem revisita um lugar seguro.

“Não me procure. Não tente me salvar. A maior prova de amor que você pode me dar é continuar vivendo.”

Ele aprendeu a conviver com a ausência. Não como ferida aberta, mas como cicatriz.

Certa manhã, caminhando pela praia, João viu uma mulher parada perto da água. Usava um vestido claro, cabelos presos de forma simples. Ela virou o rosto por um instante, e o coração dele quase parou.

Era Ana.

Ou alguém muito parecida.

Ela sorriu de leve, um sorriso que ele conhecia melhor do que qualquer outro. Não acenou. Não se aproximou. Apenas virou-se e seguiu entre os turistas.

João ficou parado, sentindo o sol no rosto.

Talvez fosse imaginação. Talvez fosse o destino dando um último sinal.

Ele sorriu também.

Porque, em algum lugar do Brasil, Ana finalmente era livre. E isso, apesar de tudo, bastava.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.

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