Capítulo 1 – O Abismo Pela Tela do Notebook
O sábado começou como qualquer outro em Campinas. O sol entrava pelas janelas do apartamento, iluminando o quarto onde Renato ainda dormia. Eu passei pela cozinha, preparei café, e então me lembrei do boleto que precisava imprimir. Peguei o notebook dele, que estava aberto sobre a mesa da sala, com a tela exibindo a caixa de entrada do e-mail.
“Só um minutinho,” pensei. “Só vou imprimir isso e pronto.”
Mas o destino tinha outros planos. Assim que cliquei para abrir o documento, a lista de e-mails não lida apareceu. Curiosa, meu olhar foi atraído por uma sequência de mensagens com títulos sugestivos. Hesitei. O coração começou a bater mais rápido. Uma mensagem, duas, três… cada linha me afundava mais na incredulidade.
O que eu vi me paralisou. Eram dezenas de mensagens cheias de intimidade, fotos, elogios e planos que não incluíam mais a minha presença. Mas o pior estava por vir: o jeito de escrever, as piadas internas, os emojis — tudo indicava uma pessoa que eu conhecia muito bem. O choque me congelou.
— Não pode ser… — sussurrei, quase sem ar.
Era ela. Paula, minha melhor amiga desde a infância, a irmã que a vida me deu, estava traindo minha confiança. Minha mente girava: como ela pôde? Como Renato pôde? Um misto de raiva, dor e incredulidade tomou conta de mim.
Respirei fundo, fechando o notebook como se nada tivesse acontecido. Fiz café, levei para o quarto e beijei Renato na testa. Ele abriu os olhos, sonolento:
— Bom dia… dormiu bem?
— Sim, e você? — respondi com um sorriso ensaiado.
Eles ainda não sabiam que eu já tinha visto tudo. E, naquele momento, decidi que não seria mais uma vítima silenciosa. Algo dentro de mim acordou: uma calma estranha, quase fria, mas determinada. Eu iria agir, e seria com precisão.
Nos dias seguintes, meu cotidiano se tornou uma fachada. Continuava sendo a esposa compreensiva, a professora dedicada, a amiga alegre. Mas por dentro, cada passo era parte de um plano. Reuni provas: mensagens, transferências, reservas de hotel, tudo organizado em nuvem e pasta criptografada. Descobri que Renato desviava dinheiro da empresa para sustentar o caso e que Paula dependia dele financeiramente. A traição não era só emocional, mas também financeira.
E então, uma ideia começou a se formar. Eu não queria apenas vingança; queria justiça.
Capítulo 2 – Teias de Traição e Silêncio
Nos dias seguintes, as interações com eles eram um jogo perigoso. Renato me abraçava, Paula me cumprimentava com aquele sorriso falso e inocente. Eu sorria de volta, mantendo o segredo mais profundo da minha vida. A cada conversa, a cada piada compartilhada, sentia meu coração endurecer e minha mente planejar.
Uma tarde, Paula apareceu em casa com um pacote de doces para minha filha:
— Olá, tia! Trouxe um brigadeiro que fiz para a Sofia! — disse ela, sorrindo.
Sorri, aceitei o doce e, por dentro, fervia. A cada gesto, cada palavra, eu memorizava, registrava, planejava. Tudo precisava estar perfeito. Um passo em falso e o plano desmoronaria.
Uma noite, conversei com meu advogado:
— Então, doutor, posso fazer isso? — perguntei, tentando soar casual.
— Você tem provas suficientes. Mas seja estratégica. Não se trata de vingança, mas de assegurar seus direitos — respondeu ele, sério.
Enquanto isso, observei Renato. Ele continuava confiante, achando que ninguém desconfiava de nada. Eu sabia exatamente como ele pensava, como ele respirava. E Paula… oh, Paula, achava que podia manipular tudo e todos, mas eu tinha todas as cartas na mão.
O ápice da tensão ocorreu em um almoço de domingo. Minha filha brincava no quarto, enquanto eu servia suco e pão de queijo. Renato comentou sobre o trabalho, sorrindo com aquela arrogância que me irritava. Paula falava animada sobre uma viagem que “planejavam juntos”.
Eu respirei fundo e disse:
— Que tal planejarmos juntos algo que inclua todo mundo? — sorri, casual.
— Claro, o que você sugere? — perguntou Paula, animada.
Nada. Eu apenas os observava, sentindo a ansiedade aumentar dentro de mim. Cada sorriso, cada gesto, cada palavra deles alimentava meu plano. Eles ainda não tinham ideia do que estava por vir.
Capítulo 3 – Justiça e Recomeço
Finalmente, chegou o dia que eu esperava. Um domingo à noite, casa silenciosa, velas na mesa, um vinho tinto esperando. Coloquei o notebook sobre a mesa, com a tela virada para eles. Renato e Paula olharam curiosos, sem entender.
— O que é isso? — perguntou Renato, franzindo a testa.
Abri o notebook, mostrando as mensagens, uma a uma. Cada palavra, cada foto, cada promessa exposta. O silêncio caiu como uma parede. Renato empalideceu, Paula começou a chorar baixinho.
— Eu já li tudo — disse, com calma. — E estou fazendo o que precisava ser feito. O divórcio já está em andamento, e a empresa foi informada sobre as irregularidades financeiras.
Renato engoliu em seco. Paula tentou falar, mas as palavras falharam. A queda deles seria rápida: Renato seria afastado do trabalho, Paula perderia o apartamento e ficaria sem dinheiro.
Nos meses seguintes, minha vida mudou. Mudei-me para São Paulo, com um novo emprego, novas rotinas e a sensação de ter recuperado algo essencial: minha dignidade. Não senti prazer na queda deles, mas senti justiça.
Aprendi algo valioso: o fim de uma história não precisa ser o fim de quem somos. Às vezes, é apenas o início de uma vida mais honesta, principalmente consigo mesmo.
E, ao olhar para o horizonte da cidade de São Paulo, sorri. A vida segue, e finalmente, eu estava no controle da minha.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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