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O marido abandonou sua esposa doente, acreditando, satisfeito, que havia encontrado uma nova felicidade. Mas, no dia do funeral dela, a amante também fugiu e desapareceu sem deixar rastros ao ouvir o conteúdo deste testamento…

Capítulo 1 – O Segredo da Praia


O sol da manhã refletia sobre as ondas de Copacabana, mas dentro da mansão de Marcos, o clima era sombrio. Marcos, vestido com um terno impecável, olhava fixamente para a janela do escritório, tentando ignorar a respiração fraca de Helena no quarto ao lado.

— Marcos… você… vai ficar aí parado o dia todo? — perguntou Helena, com a voz fraca, mas carregada de uma serenidade que a doença não conseguia apagar.

Ele se virou, forçando um sorriso:
— Estou pensando, Helena… em tudo que vamos fazer depois que você melhorar.

Ela deu um suspiro leve, mas o olhar continuava distante. Marcos sabia que a realidade era outra: Helena nunca melhoraria.

Desde que encontrara Clara, uma jovem barista do Leblon, Marcos acreditava que a vida finalmente lhe oferecia uma nova chance. Clara era alegre, provocante, e fazia-o sentir-se vivo. Ele passou noites planejando escapadas secretas, jantares à luz de velas e viagens para ilhas tropicais, imaginando que Helena era apenas um obstáculo passageiro.

Mas naquela manhã, enquanto Helena fechava os olhos, sentindo a dor nos pulmões, uma inquietação estranha tomou Marcos. Um pressentimento, talvez culpa, talvez medo, começou a corroer sua confiança.

Naquela tarde, Clara apareceu no jardim, sorridente, carregando duas xícaras de café.
— Bom dia, Marcos! — disse, aproximando-se.
— Bom dia… — respondeu ele, a voz tensa. — Você… ouviu sobre Helena hoje cedo?

Clara assentiu, mas seu sorriso vacilou.
— Ela parece… frágil.
— Frágil? — Marcos riu nervoso. — Ela sempre foi frágil, Clara. Mas isso não precisa atrapalhar a gente, não é mesmo?

Clara abaixou os olhos, mas um lampejo de medo passou por seu rosto. Marcos, tão consumido pela sua própria ambição, não percebeu. Ele não sabia que, enquanto planejava a felicidade ao lado de Clara, Helena já estava traçando seu último ato.

Naquela noite, Helena chamou Marcos ao lado da cama:
— Marcos… quero que você saiba que… eu sempre soube.
— Soube do quê? — ele perguntou, tenso.
— De Clara. E de tudo que você planejou. — O silêncio caiu pesado. — Mas você não vai herdar nada. Nada.

Marcos engoliu em seco. O rosto de Helena estava sereno, mas havia uma força silenciosa em suas palavras que o fez estremecer. Ele queria rir, desmentir, mas as palavras morreram na garganta.

Capítulo 2 – O Testamento Surpreendente


O dia do funeral de Helena chegou com nuvens carregadas sobre o Rio. A mansão estava repleta de amigos e vizinhos, todos vestidos de preto. Marcos entrou com o peito estufado de orgulho, convencido de que, depois daquela cerimônia, a vida ao lado de Clara começaria oficialmente.

— Marcos, você está bem? — perguntou uma amiga de Helena, sussurrando.
— Perfeitamente — respondeu ele, olhando ao redor com arrogância.

O advogado de Helena, um homem alto e sério chamado Dr. Almeida, chamou a atenção de todos:
— Estamos aqui para ler o testamento da Sra. Helena Vasconcelos.

Marcos sentiu um frio na espinha, mas manteve a postura. Clara segurava sua mão, os olhos arregalados de curiosidade e ansiedade.

— Eu, Helena Vasconcelos, — começou o advogado, — deixo toda a minha herança ao Fundo de Apoio às Crianças das Favelas do Rio de Janeiro. Ao meu marido, Marcos, não deixo nada.

Um murmúrio percorreu a sala. Marcos engoliu em seco, o rosto ficando pálido.
— Isso é impossível! — sussurrou ele.
— Não é, Marcos. Está escrito — disse Dr. Almeida, continuando. — E, ao meu conhecimento, minha antiga amante Clara… será responsável por suas escolhas e pela própria consciência se decidir seguir este homem.

Clara, ao ouvir isso, deu um passo para trás, a mão cobrindo a boca.
— Isso… isso não pode ser real — murmurou, a voz tremendo.
— Helena sabia de tudo — Marcos balbuciou, atônito. — Ela… ela planejou isso!

O silêncio tomou conta da sala. Clara não falou mais nada, soltou a mão de Marcos e correu porta afora, desaparecendo entre os convidados e a multidão nas ruas de Copacabana. Marcos tentou segui-la, mas não havia rastro. Seu coração batia descompassado, misto de raiva, medo e incredulidade.

Ele permaneceu sozinho na igreja, observando o caixão ser baixado. Tudo que ele achava que possuía — riqueza, poder, amor de Clara — parecia evaporar como a neblina do amanhecer.

— Ela me venceu… — murmurou, sem ninguém para ouvir.

Capítulo 3 – O Silêncio do Rio


Nos dias que se seguiram, a cidade parecia respirar sobre Marcos, lembrando-o de seu fracasso. A imprensa publicou trechos do testamento de Helena, e o público comentava, entre choque e admiração, como a mulher havia dado uma lição de moral perfeita.

Marcos tentou procurar Clara em cada rua, cada quiosque, cada bar próximo à praia. Nada. Ela havia desaparecido, como se Helena a tivesse protegido e libertado ao mesmo tempo.

Certa noite, sozinho em seu apartamento com vista para o mar, Marcos finalmente cedeu ao desespero. Olhou para as ondas, lembrando-se das manhãs em que pensava que podia enganar a vida, que poderia simplesmente substituir a perda de Helena por uma paixão proibida.

— Tudo acabou… — murmurou.

E naquela mesma noite, enquanto os carros passavam pelas avenidas iluminadas e a música de um samba distante chegava até ele, Marcos sentiu o vazio completo. Percebeu que seu egoísmo e sua ganância não apenas destruíram seu casamento, mas também afastaram qualquer possibilidade de felicidade verdadeira.

Na favela, crianças brincavam ao som da batucada improvisada, e ele sabia que todo o legado de Helena continuaria ali, no sorriso delas, longe de sua vaidade. A consciência de que tudo que ele amava, ou achava que amava, havia se perdido, fez-o finalmente compreender: o verdadeiro poder de Helena não estava na riqueza, mas na coragem de transformar a própria dor em justiça.

O Rio de Janeiro continuava vivo, vibrante, indiferente à tragédia pessoal de Marcos. Ele permaneceu olhando para o horizonte, aprendendo tarde demais que alguns atos, por mais egoístas que sejam, sempre encontram sua resposta. E a cidade inteira, com seu ritmo, cores e caos, testemunhava silenciosa a queda de um homem que acreditava que poderia enganar o destino.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.

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