#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.
**Capítulo 1 – A noite em que o silêncio falou alto**
A casa já estava em silêncio há horas. Lá fora, o bairro simples de periferia em Belo Horizonte parecia respirar devagar, com poucos carros passando e alguns cachorros latindo ao longe. Dentro do quarto, Mariana virava de um lado para o outro na cama, incapaz de dormir.
Ao lado dela, Bruno dormia profundamente, o celular dele largado na mesa de cabeceira. A tela piscou uma notificação. Depois outra. E outra.
Mariana tentou ignorar. Não era daquelas mulheres ciumentas sem motivo. Trabalhava como auxiliar administrativa, cuidava da casa, dos dois filhos pequenos e ainda tentava manter o casamento em equilíbrio. Mas naquela noite, algo a incomodava de um jeito diferente. Não era exatamente ciúme… era um aperto estranho no peito.
Ela se levantou devagar, pegou um copo d’água na cozinha e voltou. Bruno continuava imóvel. O celular vibrou de novo.
“Só vou olhar rapidinho”, ela pensou, quase se justificando para si mesma.
Quando pegou o aparelho, ele estava desbloqueado. Isso a surpreendeu. Bruno sempre foi cuidadoso com senha. Mas naquela noite, parecia que tudo estava… fácil demais.
A primeira mensagem fez seu estômago gelar:
“Você vai contar pra ela quando?”
Mariana franziu a testa. Antes que pudesse reagir, outra apareceu:
“Não esquece do combinado. Ela não pode suspeitar agora.”
O coração dela acelerou. As mãos começaram a suar. Ela deslizou a conversa.
E então viu algo ainda pior: fotos, áudios, e mensagens que não deixavam espaço para dúvida. Bruno estava, sim, escondendo algo.
“Eu já estou cansado dessa situação. Mas você sabe que não posso simplesmente largar tudo agora.” – era a mensagem dele.
Mariana deixou o celular cair sobre o colchão como se tivesse queimado sua mão.
A respiração ficou curta. A visão embaçou por alguns segundos.
Bruno se mexeu na cama.
— Mari… tudo bem? — murmurou sonolento.
Ela não respondeu.
Naquele instante, não sabia se gritava, chorava ou simplesmente desaparecia.
Mas algo ainda mais perturbador chamou sua atenção: o nome do contato não era um desconhecido.
Era “Lia – Trabalho”.
A colega de escritório que vinha sendo apresentada há meses como “só uma amiga”.
Mariana sentou na beira da cama, o coração em pedaços.
— Bruno… — ela disse baixo, mas com a voz tremendo.
Ele abriu os olhos lentamente.
— O que foi?
Ela levantou o celular.
E naquele momento, o silêncio entre eles deixou de ser paz.
Virou ameaça.
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**Capítulo 2 – O que não foi dito**
Bruno sentou na cama imediatamente ao ver o celular nas mãos de Mariana. O rosto dele perdeu a cor num segundo.
— Você mexeu no meu celular? — ele perguntou, tentando manter a calma.
— Eu não “mexi”, Bruno. Eu vi. Por acaso. Ou talvez… não seja por acaso, né?
O silêncio que veio depois foi pesado. Ele passou a mão no rosto, como quem tenta organizar pensamentos que já estão desmoronando.
— Mariana, isso não é o que você está pensando…
Ela soltou uma risada curta, sem humor nenhum.
— Ah não? Então me explica o que é “ela não pode suspeitar agora”. Me explica por que sua “amiga do trabalho” está te cobrando quando você vai me contar alguma coisa.
Bruno se levantou, começou a andar pelo quarto.
— É complicado.
— Sempre é complicado quando a verdade aparece, né?
Ela também se levantou. Os dois agora estavam frente a frente, como dois estranhos dividindo o mesmo espaço.
— Mariana, me escuta…
— Não! Agora é minha vez de falar.
A voz dela subiu, mas não era apenas raiva. Era dor acumulada.
— Eu tô aqui, nessa casa, cuidando dos seus filhos, trabalhando, confiando em você… e você me chama de quê? De “complicação que precisa ser resolvida depois”?
Bruno fechou os olhos por um instante.
— Não é isso…
— Então é o quê?
Ele hesitou.
— A Lia… ela não é só uma colega.
O silêncio voltou, mas agora era diferente. Era definitivo.
Mariana sentiu o chão sumir sob os pés.
— Ah… então agora faz sentido.
Ela se sentou novamente, como se o corpo não tivesse mais força.
— Quanto tempo?
— Não é bem assim…
— QUANTO TEMPO, BRUNO?
Ele respirou fundo.
— Alguns meses.
Mariana riu de novo, mas agora com lágrimas nos olhos.
— Meses… dentro da minha casa… olhando na minha cara…
Bruno tentou se aproximar, mas ela recuou.
— Não encosta em mim.
Ele parou.
— Eu não queria te machucar.
— Mas machucou.
O silêncio voltou, mais pesado ainda.
E então ela fez a pergunta que mudaria tudo:
— E quem é você de verdade, Bruno? Porque esse homem aqui… eu não conheço.
Ele não respondeu.
E isso respondeu tudo.
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**Capítulo 3 – A mensagem que não era dela**
Dois dias se passaram em silêncio dentro da casa. As crianças sentiam o clima estranho, mas não entendiam. Mariana mal falava com Bruno. Ele dormia no sofá. Nenhum dos dois sabia exatamente como continuar.
Naquela noite, porém, o celular de Bruno voltou a vibrar.
Mariana estava na cozinha quando ouviu.
Ele estava no banheiro.
O aparelho ficou sobre a mesa.
E ela viu.
“Você já contou pra ela?”
O nome ainda era “Lia – Trabalho”.
Algo dentro dela, que já estava quebrado, decidiu olhar uma última vez.
Mas dessa vez, não era apenas raiva.
Era curiosidade. E medo.
Ela abriu a conversa novamente.
E encontrou algo inesperado.
A última mensagem não era de traição.
Era uma ameaça.
“Se você não contar logo, eu conto. E você sabe o que vai acontecer se ela descobrir por outra pessoa.”
Mariana sentiu o corpo gelar.
Aquilo não parecia mais apenas um caso.
Parecia algo maior.
Bruno saiu do banheiro e parou ao ver ela com o celular na mão.
— Mariana… eu posso explicar.
Ela levantou o olhar devagar.
— Explicar o quê? Que isso aqui não é só traição?
Ele ficou em silêncio.
— Quem é ela de verdade, Bruno?
Ele fechou os olhos.
E finalmente disse:
— Ela não é minha amante.
Mariana franziu a testa.
— Então o que ela é?
Bruno sentou na cadeira, derrotado.
— Ela é filha do meu antigo sócio.
O silêncio ficou absoluto.
— O sócio que… morreu?
Ele assentiu.
— Antes de morrer, ele deixou uma dívida enorme no meu nome também. Eu tentei resolver sozinho. Mas a Lia descobriu documentos antigos… coisas que podem destruir não só minha vida, mas a de muita gente.
Mariana não sabia se acreditava.
— E isso justifica tudo isso? Mentiras? Segredo? Eu sendo tratada como idiota dentro da minha própria casa?
Bruno levantou o olhar.
— Eu estava tentando proteger você.
Ela soltou uma risada amarga.
— Não me protege me destruindo.
O celular vibrou de novo.
Dessa vez, uma chamada.
No visor: “Lia – Trabalho”.
Bruno olhou para Mariana.
Ela olhou de volta.
E disse apenas:
— Atende.
Ele hesitou.
— Atende, Bruno. Eu quero ouvir também.
Ele atendeu.
A voz do outro lado era calma, fria:
— Finalmente… acho que agora todo mundo vai saber a verdade.
Mariana sentiu um arrepio profundo.
E naquele instante, percebeu:
A história nunca foi só sobre traição.
Era sobre algo que ainda estava longe de terminar.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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