#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.
**Capítulo 1 – A ligação na madrugada**
A chuva caía fina sobre Anápolis naquela madrugada de terça-feira, criando aquele som constante que parecia preencher o silêncio da cidade. Lucas estava acordado, como quase sempre nos últimos meses. O celular iluminava o quarto escuro enquanto ele revisava e-mails de trabalho sem muita concentração. A vida andava estranha: trabalho repetitivo, noites mal dormidas e uma sensação persistente de que algo não estava certo, embora ele não soubesse exatamente o quê.
Foi então que o telefone tocou.
O som foi tão repentino que ele levou um segundo para reagir. Número desconhecido. 02h37 da manhã.
— Alô? — atendeu, a voz rouca de sono.
Do outro lado, silêncio. Mas não era um silêncio vazio. Havia respiração. Lenta. Hesitante.
— Alô? Quem fala? — insistiu.
Uma voz feminina finalmente respondeu, baixa, quase um sussurro:
— Desculpa… eu acho que liguei errado.
Lucas franziu a testa.
— Errado às duas da manhã?
— Eu… eu não queria incomodar.
Ele já ia encerrar a ligação quando ouviu algo estranho: uma música ao fundo. Familiar demais. Um toque de violão simples, daqueles que se ouvem em bares pequenos da cidade, ou em vídeos antigos de família.
— Espera — disse ele, de repente atento. — Quem é você?
Silêncio outra vez. Depois, a mulher falou:
— Você não me conhece.
E desligou.
Lucas ficou olhando para o celular por alguns segundos. Algo naquele tom de voz… havia uma fragilidade estranha, mas também uma familiaridade inexplicável. Ele tentou ignorar, voltou a deitar, mas o sono não veio.
Na manhã seguinte, durante o café, a cena voltou à sua mente.
— Tá distraído por quê? — perguntou Marina, sua esposa, sem levantar muito o olhar do celular.
— Nada. Só acordei no meio da noite com uma ligação errada.
Ela parou por um segundo.
— Número errado?
— É.
Marina deu de ombros.
— Acontece.
Mas Lucas percebeu algo. Um microsegundo de tensão no rosto dela. Algo rápido demais para ser certeza, mas suficiente para incomodar.
Nos dias seguintes, a ligação voltou a ecoar na cabeça dele. Principalmente a voz. Havia algo nela que parecia puxar memórias antigas, como um sonho esquecido.
Até que, numa tarde qualquer, ele decidiu ligar de volta para o número.
Chamou uma vez. Duas.
Na terceira, alguém atendeu.
— Alô? — disse a mesma voz.
Lucas engoliu seco.
— Você me ligou alguns dias atrás. De madrugada.
Silêncio.
— Acho que você está enganado — respondeu ela, mas a voz agora estava diferente. Mais tensa.
— Eu não estou. Eu lembro da sua voz.
Mais silêncio.
— Quem é você? — ela perguntou, agora defensiva.
Lucas hesitou.
— Sou o Lucas.
O nome pareceu causar impacto.
— Lucas…? — repetiu ela, como se testasse o som.
E então desligou novamente.
Aquilo não fazia sentido.
Naquela noite, Lucas não conseguiu dormir. Pela primeira vez, ele procurou o número em aplicativos de identificação. Nada relevante. Apenas um nome genérico de chip pré-pago.
Mas havia algo mais forte que a curiosidade: uma inquietação crescente. Um pressentimento de que aquela ligação não era um acaso.
E que sua vida, de alguma forma, já tinha sido tocada por aquela voz antes.
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**Capítulo 2 – O fio invisível**
Dois dias depois, Lucas tomou uma decisão que mudaria o rumo de tudo: ele salvou o número e começou a observar padrões.
Ligou em horários diferentes. Sempre a mesma resposta: hesitação, defesa, e desligamento rápido.
Até que, numa noite de sexta-feira, alguém finalmente não desligou.
— Por que você continua ligando? — perguntou a mulher.
— Porque eu sinto que te conheço — respondeu Lucas, sem pensar.
Silêncio longo.
— Isso é impossível.
— Então me diz por que sua voz parece tão familiar.
Ela respirou fundo do outro lado da linha.
— Você está confundindo as coisas.
— Ou você está escondendo algo.
A frase caiu pesada.
Ela não respondeu imediatamente. Quando falou, a voz estava mais baixa:
— Isso não é brincadeira, Lucas.
Ele sentiu um arrepio.
— Como você sabe meu nome?
Silêncio absoluto.
E então, ela desligou.
Mas dessa vez, algo ficou diferente. Ela não parecia mais apenas assustada. Parecia… abalada.
Na manhã seguinte, Lucas começou a investigar de forma mais séria. Consultou registros simples, tentou cruzar dados, até que percebeu um detalhe curioso: o número havia sido usado em ligações frequentes para outro contato — um número local, da mesma cidade.
E esse segundo número estava salvo em seu próprio celular.
Era o contato de Marina.
O mundo pareceu perder o equilíbrio por um instante.
Ele releu, conferiu novamente. Não era possível.
Mas era.
Naquela noite, quando Marina chegou em casa, Lucas decidiu confrontá-la.
— Você conhece esse número? — perguntou, mostrando o celular.
Ela olhou. Por um segundo, seu rosto perdeu a cor.
— Não.
— Não mente pra mim.
— Lucas, eu não conheço esse número.
— Então por que ele liga pra você?
Silêncio.
Marina se sentou devagar, como se o corpo tivesse ficado pesado.
— Eu não sei do que você está falando.
Mas a voz dela já não era firme.
Lucas sentiu o chão sumir sob os pés.
— Eu falei com uma mulher. Ela conhece meu nome. E esse número… liga pra você.
Marina fechou os olhos.
— Você não devia ter mexido nisso.
Aquilo foi o suficiente para congelá-lo.
— Então é verdade?
Ela demorou para responder.
— Não é o que você está pensando.
— Então me explica.
Mas Marina não explicou.
Naquela noite, ela saiu de casa.
E Lucas ficou sozinho, encarando o celular como se ele agora fosse uma porta aberta para algo que ele nunca deveria ter descoberto.
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**Capítulo 3 – A verdade que não deveria existir**
A chuva voltou três dias depois, como se a cidade estivesse tentando lavar algo que não podia ser apagado.
Lucas finalmente conseguiu ligar para o número novamente. Desta vez, a mulher atendeu mais rápido.
— Você não devia ter descoberto isso — disse ela, sem cumprimentos.
— Quem é você?
— Isso não importa mais.
— Importa sim. Você falou com minha esposa?
Silêncio.
E então, a resposta veio como um golpe:
— Eu sou a irmã dela.
Lucas ficou imóvel.
— Isso não faz sentido.
— Faz, sim. Só que você nunca soube da minha existência.
A revelação parecia absurda demais para ser real.
— Marina não tem irmã.
— Tem. Só não na história que ela te contou.
Lucas sentiu o estômago embrulhar.
A mulher continuou:
— Ela cortou laços comigo anos atrás. Mudou de cidade, mudou de vida. Mas eu nunca consegui esquecer.
— E por que me ligar?
— Eu não liguei pra você. Eu liguei pra ela. Mas você atendeu.
O silêncio que seguiu foi pesado.
Lucas sentou devagar na cadeira.
— Então aquela ligação…
— Foi um erro. Um número antigo salvo errado. Mas quando ouvi sua voz… eu percebi que você não sabia de nada.
Ele passou a mão no rosto, confuso.
— O que eu não sei?
A mulher hesitou.
— Marina não te contou tudo sobre o passado dela. E quando ela percebeu que eu tinha encontrado ela de novo… ela entrou em pânico.
Lucas sentiu um frio percorrer o corpo.
— Onde ela está agora?
— Eu não sei. Mas sei que ela não queria que você descobrisse.
Naquela mesma noite, Lucas encontrou uma carta deixada em casa. Pequena. Escrita à mão.
“Lucas, me perdoa. Algumas verdades não foram feitas para chegar até você dessa forma. Eu não queria que você descobrisse assim.”
E nada mais.
Nenhum endereço. Nenhuma explicação.
Só o vazio.
Lucas ficou sentado por horas, encarando a carta. Não sabia mais o que era real, nem o que havia sido construído em sua vida.
A ligação errada não tinha sido o início de um erro.
Tinha sido o início do fim de uma ilusão.
E, pela primeira vez, ele entendeu que algumas verdades não chegam para libertar.
Chegam para mudar tudo o que você acreditava ser real.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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