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A amante do meu marido usou de propósito um vestido idêntico ao meu e deu um jeito de se enfiar bem no meio da nossa foto de família na festa da empresa. Eu não fiz barraco. Em vez disso, caminhei calmamente até o palco, peguei o microfone e disse uma única frase. Assim que ouviu, a amante congelou: a taça de vinho caiu da mão dela, estraçalhando-se no chão, e ela começou a tremer dos pés à cabeça de puro pavor...

#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.


CAPÍTULO 1: O ESPELHO DA DISCÓRDIA
O espelho do closet refletia uma mulher que eu mal reconhecia, mas que havia levado anos para construir. O vestido de seda verde-esmeralda, encomendado sob medida com meses de antecedência, moldava-se ao meu corpo de forma impecável. Joias discretas, o cabelo preso em um coque elegante e a maquiagem sutil, mas marcante. Olhei para as minhas próprias mãos e respirei fundo. Eu era Helena Albuquerque, esposa do diretor financeiro da maior construtora do estado, mãe de dois filhos lindos e a mente por trás de quase todos os eventos de caridade da alta sociedade local. Eu tinha o controle de tudo. Ou, pelo menos, era o que eu gostava de acreditar.

"Helena, querida, você está deslumbrante", disse Roberto, meu marido, encostando-se no batente da porta enquanto ajustava as abotoaduras de ouro. Seu sorriso era o mesmo que me encantara vinte anos atrás, na faculdade de economia. Mas, ultimamente, aquele sorriso parecia não alcançar seus olhos. Havia uma névoa de distanciamento entre nós, um silêncio incômodo que se instalava sempre que os meninos iam dormir.

"Obrigada, Roberto. Você também está muito elegante", respondi, mantendo o tom suave. "A festa de fim de ano da construtora é um momento importante. Precisamos dar o exemplo."

"Com certeza. Afinal, a imagem da família é o nosso maior patrimônio", ele pontuou, com uma formalidade que me causou um leve arrepio.

O trajeto até o salão de festas do hotel cinco estrelas foi preenchido por conversas banais sobre as ações da empresa e o rendimento escolar dos nossos filhos. No fundo, eu sentia um aperto no peito, aquela intuição feminina que raramente falha, mas que insistimos em sufocar para manter a paz. Eu vinha notando faturas de cartão de crédito estranhas, reuniões que se estendiam até altas horas da madrugada e o perfume adocicado, quase infantil, que impregnava o estofado do carro dele. Eu sabia. Só não tinha, até então, um rosto para a minha suspeita.

Quando as portas do salão se abriram, fomos bombardeados por flashes e cumprimentos. Sorri, apertei mãos, abracei esposas de acionistas e mantive a postura impecável. Roberto logo foi puxado para o círculo da diretoria. Fiquei um pouco mais afastada, observando o movimento com uma taça de champanhe na mão.

Foi quando o mundo pareceu desacelerar.

Entrando pelo tapete vermelho, cruzando o salão com passos firmes e audaciosos, estava Larissa. Ela era a nova assistente de marketing da empresa, uma jovem de vinte e poucos anos que exalava uma autoconfiança quase agressiva. Mas não foi a presença dela que me paralisou. Foi o que ela estava vestindo.

O mesmo tom de verde-esmeralda. O mesmo corte assimétrico no ombro. A mesma fenda lateral que revelava a perna esquerda. Era uma cópia exata do meu vestido, uma peça única que deveria ser exclusiva. Ela não tinha apenas comprado um vestido parecido; ela tinha descoberto o estilista, subornado alguém ou revirado minhas redes sociais para me afrontar publicamente.

Nossos olhos se cruzaram no meio do salão lotado. Larissa não desviou o olhar. Pelo contrário, ela ergueu a taça de vinho tinto que carregava e sorriu de canto, um sorriso vitorioso, carregado de deboche. Olhei de relance para Roberto. Ele empalideceu instantaneamente, a conversa com o CEO da empresa morrendo em sua boca. Ele olhava de mim para ela, o pânico cruzando seus olhos castanhos.

"Helena, veja só...", murmurou uma das minhas conhecidas, aproximando-se com os olhos arregalados. "Aquela menina... que audácia! É o mesmo vestido!"

"Coincidências acontecem, querida", respondi com a voz mais firme e gélida que consegui reunir, embora meu estômago estivesse revirando. "Mas algumas pessoas simplesmente não têm originalidade."

Por dentro, meu sangue fervia. O desrespeito tinha ultrapassado todos os limites aceitáveis da discrição que eu tanto prezava. Larissa não queria apenas o meu marido; ela queria o meu lugar, a minha identidade, a minha humilhação pública. Ela queria me ver fazer um barraco, gritar, chorar e me passar por uma esposa histérica e ciumenta diante de toda a elite empresarial da cidade.

"Não", pensei comigo mesma, apertando a haste da minha taça. "Você não vai ter esse gostinho. O show está apenas começando."

CAPÍTULO 2: O JOGO DAS APARÊNCIAS

A música ambiente continuava a ecoar pelo salão, mas para mim, o som parecia abafado, como se eu estivesse debaixo d'água. Eu via os sussurros começarem a se espalhar pelas mesas circundantes. As pessoas apontavam discretamente, sorriam por trás das mãos, deliciando-se com o drama iminente. No Brasil, o escândalo social é um esporte assistido com pipoca pelas elites. Eu não seria a palhaça daquele circo.

Roberto aproximou-se de mim com passos rápidos, o suor brilhando em sua testa. "Helena, por favor, vamos embora. Estou me sentindo mal, podemos inventar uma desculpa..."

"Ir embora, Roberto? No meio da festa mais importante do ano para o seu cargo?", perguntei, fixando meus olhos nos dele com uma frieza que o fez recuar um passo. "De jeito nenhum. Nós vamos ficar até o final."

"Mas aquela garota... ela fez de propósito, eu não sei o que deu nela...", ele gaguejou, entregando-se sem que eu sequer precisasse fazer uma pergunta.

"Então você admite que sabe o que 'deu nela'?", confrontei-o, mantendo o sorriso social para quem olhasse de longe. "Não fale nada agora. Guarde suas desculpas para quando estivermos em casa. Agora, recomponha-se."

Nesse momento, o mestre de cerimônias subiu ao palco principal e anunciou: "Senhores e senhoras, pedimos a atenção de todos. Vamos realizar a tradicional foto da família da diretoria e dos principais colaboradores para a revista institucional da empresa. Por favor, aproximem-se do painel fotográfico."

Roberto tentou segurar meu braço, mas eu me desvencilhei com elegância e caminhei em direção ao imenso painel decorado com flores brancas e o logotipo da construtora. Meus filhos não estavam presentes, pois a festa era restrita a adultos, então a "família" ali éramos eu e Roberto. Nos posicionamos no centro. O fotógrafo começou a ajustar as lentes.

Foi então que vi o movimento pelo canto do olho. Larissa avançou entre os convidados. Com uma audácia sem precedentes, ela se infiltrou na lateral, empurrou levemente o vice-presidente e se colocou exatamente ao lado de Roberto, estufando o peito, colando o ombro no dele. O vestido idêntico ao meu criava uma ilusão de ótica bizarra. Parecia que Roberto tinha duas esposas, ou pior, que eu era o passado e ela era o presente.

"Licença, pessoal, uma foto bem bonita para o marketing!", disse ela em voz alta, sorrindo radiante para a câmera.

Roberto travou. O fotógrafo hesitou, olhando para a situação desconfortável. O salão inteiro silenciou. Todos esperavam a minha explosão. Esperavam que eu a puxasse pelo cabelo, que jogasse bebida na cara dela, ou que saísse correndo chorando. Larissa me encarou por cima do ombro de Roberto, os olhos brilhando com a promessa da minha ruína.

Eu respirei fundo, enchendo meus pulmões de ar, permitindo que a humilhação se transformasse em pura e gélida estratégia. Olhei para o fotógrafo e fiz um sinal com a mão para que ele esperasse.

"Só um momento, por favor", eu disse, com a voz clara e audível.

Afastei-me calmamente do painel de fotos. Cada passo que eu dava no tapete vermelho parecia calculado. O silêncio no salão era tão absoluto que era possível ouvir o restolhar da seda do meu vestido verde. Eu não olhei para trás. Não olhei para o rosto aterrorizado de Roberto, nem para a expressão triunfante de Larissa, que achava que tinha me expulsado do meu próprio território.

Caminhei em direção ao palco principal. O mestre de cerimônias, confuso, deu um passo para trás quando me aproximei. Com um sorriso educado e firme, estendi a mão e peguei o microfone que estava no pedestal.

Eu tinha o controle da narrativa. O salão inteiro prendia a respiração. Centenas de pares de olhos focados em mim, esperando o veredito da esposa traída.

CAPÍTULO 3: A QUEDA DO CASTELO DE CARTAS

Posicionei o microfone perto dos lábios. Olhei diretamente para o painel de fotos, focando minha visão na figura de Larissa, que ainda ostentava sua postura vitoriosa ao lado do meu marido, segurando sua taça de vinho tinto como se fosse um troféu.

Eu não tremia. A raiva tinha se dissipado, dando lugar a uma clareza cortante. Eu sabia exatamente quem eu era e o quanto tinha construído. E sabia, acima de tudo, o segredo que Roberto achava que estava bem escondido nos arquivos criptografados do nosso computador de casa — arquivos que eu, como contadora de formação e sócia oculta de muitos dos seus negócios, tinha total acesso.

"Boa noite a todos os presentes", comecei, minha voz ecoando límpida pelas caixas de som de última geração do salão. "Gostaria de agradecer a presença de cada acionista, diretor e colaborador nesta noite tão especial. É maravilhoso ver o crescimento desta empresa."

Houve um leve murmúrio de confusão. Eles esperavam drama, não um discurso institucional. Larissa relaxou os ombros, um sorrisinho de desdém surgindo em seus lábios, achando que eu estava simplesmente me acovardando.

"E, especialmente hoje", continuei, mantendo o tom calmo e pausado, "eu queria aproveitar este momento público para dar as boas-vindas oficiais à mais nova aquisição da nossa família. Quero parabenizar a senhorita Larissa por ter aceitado a transferência definitiva para a nossa nova filial em Macapá, onde ela assumirá o cargo de supervisora de arquivo a partir de amanhã de manhã, com o salário reduzido ao piso da categoria, conforme o novo plano de reestruturação que eu e o comitê de auditoria aprovamos esta tarde."

O sorriso de Larissa sumiu instantaneamente. Suas bochechas perderam toda a cor.

Mas eu ainda não tinha terminado. O golpe de misericórdia precisava ser cirúrgico.

"E além disso", prossegui, olhando fixamente nos olhos arregalados dela, "gostaria de avisar à senhorita que o apartamento funcional no centro, cujo aluguel estava sendo pago secretamente com o fundo de caixa dois da diretoria, já teve o contrato rescindido e as fechaduras trocadas há exatamente duas horas, e todas as suas roupas — incluindo os outros vestidos clonados — já foram doadas para uma instituição de caridade."

O silêncio que se seguiu foi avassalador.

Assim que a última palavra saiu da minha boca, Larissa congelou completamente. Seus olhos se esbugalharam em um misto de choque, pânico e humilhação absoluta. Ela percebeu, naquele milésimo de segundo, que o joguinho de sedução e poder tinha destruído não apenas a carreira dela, mas toda a sua estabilidade financeira e reputação. A revelação do desvio de fundos para o apartamento funcional significava que ela e Roberto estavam na mira de algo muito pior do que um divórcio: uma investigação criminal.

A mão de Larissa começou a tremer violentamente. Seus dedos perderam a força e a taça de cristal, cheia de vinho tinto, escorregou de sua mão.

BUM.

O som do vidro se estraçalhando no chão de mármore ecoou pelo salão como um tiro de misericórdia. O líquido vermelho espalhou-se pelo chão, manchando a barra do seu vestido verde-esmeralda idêntico ao meu, parecendo sangue de uma ferida aberta na sua arrogância.

Ela começou a tremer dos pés à cabeça, de puro pavor, as lágrimas finalmente transbordando e borrando sua maquiagem pesada. Ela olhou para os lados, procurando o apoio de Roberto, mas meu marido já tinha se afastado dela como se ela fosse uma leprosa, cobrindo o rosto com as mãos, sabendo que sua carreira e seu casamento estavam arruinados.

"Uma salva de palmas para o futuro da nossa empresa, senhores", finalizei com um sorriso radiante, recolocando o microfone no pedestal.

Desci as escadas do palco com a mesma elegância com que subi. Passei por Larissa, que agora estava encolhida, chorando e sendo cercada pelos seguranças que eu mesma havia instruído a retirá-la do recinto por conduta inadequada. Roberto tentou vir atrás de mim, balbuciando palavras desconexas, mas eu apenas ergui a mão, interrompendo-o.

"Os papéis do divórcio estarão na sua mesa na segunda-feira, Roberto. E a auditoria começa às oito da manhã. Sugiro que você arrume um bom advogado", sussurrei, apenas para ele ouvir.

Caminhei em direção à saída do salão, de cabeça erguida, sob os olhares estupefatos e agora respeitosos de toda a alta sociedade. Eu não tinha perdido a pose, não tinha derramado uma única lágrima e tinha limpado a minha honra com a precisão de um cirurgião. O vestido verde-esmeralda continuava impecável em mim. Afinal, a cópia pode até tentar se parecer com o original, mas nunca terá a mesma força.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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