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A mãe acabara de ser levada para um asilo, e os filhos se reuniram imediatamente, empolgados com a ideia de dividir a herança. Mas, ao anoitecer, uma ligação de número desconhecido transformou a alegria da tarde em um medo inesperado…

Capítulo 1 – O Retorno da Mãe


O carro da ambulância desapareceu na curva da rua de paralelepípedos, deixando para trás um silêncio pesado que parecia engolir a antiga casa de praia da família, na beira da Baía de Guanabara. Dona Carmem havia sido levada para um asilo em Niterói, e seus três filhos, Rafael, Luana e Tiago, permaneceram na sala, olhando uns para os outros com uma mistura de ansiedade e excitação.

— Então… finalmente podemos dividir tudo — disse Rafael, apoiando-se na mesa da cozinha, os olhos brilhando com ambição. — Eu já tenho alguns planos para o carro antigo. Sempre quis restaurá-lo completamente.

Luana suspirou e cruzou os braços.
— Rafael, não vamos começar a brigar antes de olhar todos os documentos. Pode haver algo que você nem imagina.

Tiago, distraído, mexia no celular, observando o pôr do sol que pintava a baía de laranja e rosa.
— Ei… será que a mãe vai ficar bem? — perguntou ele, quase murmurando, mas os irmãos o ignoraram.

O cheiro do café fresco e das coxinhas quentinhas não conseguiu dissipar a tensão que crescia. Cada risada nervosa escondia uma pontada de cobiça. A conversa girava em torno de móveis antigos, quadros de artistas locais, joias e o carro que Carmem guardava com tanto carinho.

Ao anoitecer, a antiga casa parecia diferente. As sombras dos móveis se alongavam sobre o piso de madeira, e o vento que entrava pelas janelas abertas carregava um frio estranho. Foi nesse momento que o telefone tocou. Um número desconhecido piscava na tela. Rafael atendeu imediatamente:

— Alô?

Uma voz baixa e rouca sussurrou do outro lado:
— Vocês não deveriam estar pensando na herança… Ela deixou algo que vocês não sabem.

Rafael engasgou, a mão tremendo.
— Quem é você? Do que está falando?

A linha ficou muda, e então a chamada caiu. Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Luana olhou para o irmão mais velho, indignada:
— Isso é uma piada?

Mas Rafael estava pálido, com a mão ainda segurando o telefone. Tiago se aproximou, tentando compreender:
— Talvez… seja alguém que sabe de algo sobre a mãe…

O clima mudou de imediato. A empolgação deu lugar ao medo. A noite parecia engolir cada canto da casa, e os passos que ecoavam pelos corredores antigos não pareciam mais apenas imaginários. O que começou como uma disputa familiar prestes a explodir havia se transformado em uma tensão silenciosa, cheia de suspeitas e presságios.

Capítulo 2 – Segredos Escondidos


Nos dias seguintes, a atmosfera na casa piorou. Documentos começaram a desaparecer, quadros mudavam de posição e, à noite, Luana jurava ouvir passos no corredor do segundo andar. Cada barulho fazia os três filhos se entreolharem com olhos arregalados.

— Luana, você está exagerando — disse Rafael, tentando rir, mas a voz soou fraca. — Não existe nenhum fantasma aqui.

— Não estou exagerando! — rebateu Luana. — Ouçam… eu ouvi claramente alguém andando lá em cima!

Tiago se levantou lentamente, andando até o corredor, tentando acalmar a irmã.
— Talvez seja o vento ou… algum animal.

Foi durante uma dessas noites que Tiago tropeçou em uma tábua solta no porão. Curioso, empurrou-a e descobriu uma caixa antiga, coberta de poeira e teias de aranha. Com a ajuda de Luana, abriram-na com cuidado. Dentro, encontraram cartas e documentos que pareciam ter décadas de idade. Rafael aproximou-se, a curiosidade superando a cautela.

— O que é isso? — perguntou, pegando uma carta amarelada pelo tempo.

Luana começou a ler em voz alta:
— “Se alguém encontrar estas cartas, deve saber que tenho um filho perdido… fruto de um relacionamento antigo. Ele tem direito à metade da herança, mesmo que não tenha sido registrado oficialmente…”

O silêncio foi absoluto. Rafael engoliu em seco.
— Um filho perdido? — murmurou, incrédulo. — Isso não pode estar certo…

— Está aqui, Rafael! — disse Luana, furiosa e assustada ao mesmo tempo. — Nossa mãe escondeu isso de nós durante anos!

Tiago, sempre sensível, sentiu uma pontada de culpa.
— Talvez devêssemos… tentar encontrá-lo. Descobrir quem ele é antes de tomar qualquer decisão sobre a herança.

Rafael bufou, mas havia uma sombra de medo em seus olhos. O que começou como ambição agora se transformava em incerteza. Cada carta revelava detalhes da vida de Carmem, encontros secretos e correspondências com alguém chamado Marcelo, que parecia ser o filho desconhecido.

A ligação misteriosa da noite anterior agora fazia sentido. Alguém, sabendo da existência de Marcelo, estava tentando alertá-los. O que parecia apenas uma disputa por dinheiro se transformava em um emaranhado de segredos, medos e dilemas morais.

Capítulo 3 – A Escolha da Família


A decisão sobre como lidar com Marcelo dividiu os irmãos. Rafael queria ignorar as cartas e seguir com seus planos de herança; Luana insistia em procurar o irmão perdido; Tiago, emocionado, propôs uma solução conciliatória:

— Não precisamos brigar. Vamos encontrar Marcelo, conhecê-lo, e depois decidimos juntos como lidar com a herança.

O clima era tenso, mas algo em Tiago acalmou os ânimos. Relutantemente, Rafael concordou, e Luana parecia aliviada. Os três começaram a investigar discretamente. Descobriram que Marcelo morava em Niterói, trabalhando em uma pequena oficina de carros clássicos.

No encontro, Marcelo se mostrou surpreso e emocionado. Ele conhecia pouco sobre Carmem, mas sabia de sua existência através de cartas antigas que ela havia enviado. A reunião foi carregada de lágrimas, abraços e histórias contadas em meio a soluços. A tensão e a ganância que haviam consumido os irmãos deram lugar à compreensão e à empatia.

Rafael, que inicialmente só pensava no carro e nos quadros valiosos, sentiu algo novo: arrependimento e a importância da família acima de qualquer riqueza. Luana sorriu pela primeira vez em dias, aliviada por finalmente enfrentar a verdade. Tiago, satisfeito, percebeu que sua intuição sobre preservar os laços familiares havia sido correta.

No fim, a herança ainda existia, mas não era mais o centro de suas vidas. O que importava agora era a reconciliação e o conhecimento da verdade. O telefone, que dias antes havia trazido medo, tornou-se símbolo de alerta e oportunidade: um aviso para que não deixassem que a ambição destruísse o que realmente importava.

A noite caiu sobre a casa de praia novamente, mas desta vez o silêncio não era ameaçador. As sombras pareciam dançar suavemente ao luar, como se a própria baía estivesse celebrando o reencontro da família. Carmem, no asilo, talvez não estivesse presente fisicamente, mas seu segredo havia cumprido seu papel: unir os filhos e ensinar que a verdade e o amor familiar sempre valem mais que ouro ou móveis antigos.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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