Capítulo 1 – O Segredo do Funeral
No funeral do meu marido, Rodrigo, o céu de São Paulo estava carregado de nuvens cinzentas, e uma chuva fina caía sobre a cidade, misturando-se com minhas lágrimas. Enquanto os parentes e amigos se aproximavam para me dar condolências, senti um aperto no peito que parecia não ter fim. A dor ainda era crua, e a ideia de que ele realmente havia partido me deixava sem ar.
Foi então que meu celular vibrou. Um número desconhecido piscou na tela. Hesitei antes de abrir a mensagem, mas finalmente encarei:
"Estou vivo. Não acredite nas crianças."
Minhas mãos tremeram. Suspirei, tentando racionalizar. Rodrigo sempre teve inimigos nos negócios, mas alguém brincar assim com a minha dor parecia… impossível. "É só uma brincadeira de mau gosto", murmurei para mim mesma. Ignorei a mensagem, tentando me concentrar na cerimônia.
No entanto, minutos depois, uma nova notificação apareceu. Dessa vez, era uma foto do escritório de Rodrigo, mostrando a escrivaninha com um compartimento secreto entreaberto:
"O testamento verdadeiro está aqui."
Senti o coração disparar. Rodrigo havia morrido em um acidente de carro na semana passada, e aquela imagem parecia… impossível. Mas algo dentro de mim dizia que não era engano. Lembrei das discussões recentes que ele teve com Lucas e Mariana, nossos filhos, sobre a herança da empresa da família. E se alguém estivesse manipulando tudo para tirar vantagem?
Naquele instante, decidi que não podia esperar. Mal sabia eu que essa decisão me levaria a confrontar segredos que ninguém da família poderia imaginar.
Ao chegar em casa, fechei a porta atrás de mim e sentei à escrivaninha, olhando para o telefone. Mensagens de desconhecidos, números sem nome… o frio subia pelas minhas costas. Peguei o laptop e comecei a revisar os arquivos antigos de Rodrigo. Fotos, contratos, correspondências. Nada parecia relevante, até que notei algo estranho: uma série de livros de direito que ele mantinha organizados em ordem cronológica, com uma borda de páginas levemente marcada com números.
"Pode ser uma pista", pensei. Minhas mãos tremiam enquanto folheava as páginas. Finalmente, encontrei a sequência que parecia código. Corri até o cofre da escrivaninha, digitei os números e o compartimento se abriu com um clique suave. Dentro, havia um envelope antigo, amarelado pelo tempo, com a caligrafia de Rodrigo: "Testamento Verdadeiro".
Quando abri, quase não acreditei no que lia. O documento não apenas me deixava toda a herança, mas também continha instruções detalhadas para doações a instituições de caridade e negócios secretos que ele havia criado sem que ninguém soubesse. Lucas e Mariana ficariam chocados. Ele havia planejado tudo para proteger a família e garantir que sua fortuna fosse usada corretamente, mesmo após a morte.
Enquanto segurava o testamento, uma sensação estranha de presença se espalhou pela sala. O celular vibrou novamente. Desta vez, uma mensagem curta:
"Obrigado por confiar em mim."
Não havia número. Era como se Rodrigo ainda estivesse ali, cuidando de tudo. Pela primeira vez desde o acidente, senti uma estranha paz. Mas algo me dizia que essa história estava longe de acabar…
Capítulo 2 – Suspeitas e Confrontos
Nos dias seguintes, a vida parecia um filme surreal. A notícia sobre a fortuna e o testamento secreto vazou para alguns parentes próximos, mas ninguém sabia da verdade completa. Lucas, meu filho mais velho, começou a se comportar de maneira estranha. Perguntava sobre negócios antigos, fazia perguntas indiretas sobre contratos e, às vezes, me observava com um olhar que parecia conter tanto medo quanto ambição. Mariana, a caçula, era mais sutil. Tentava parecer preocupada comigo, mas sentia que ela também desconfiava de algo.
Uma tarde, recebi outra mensagem do número desconhecido. Desta vez, apenas uma frase:
"Cuidado com quem você confia."
Meu coração disparou. Quem poderia estar me observando? Quem sabia do testamento antes de mim? Decidi não contar nada a ninguém, nem aos filhos. Rodrigo tinha me confiado aquele segredo, e eu não podia trair a memória dele.
Mas não consegui evitar: queria respostas. Fui ao escritório novamente, revisando cada arquivo, cada anotação. Foi então que encontrei uma série de emails antigos entre Rodrigo e um sócio de confiança chamado Henrique. O teor era enigmático e alarmante: Rodrigo desconfiava que alguém de dentro da família tentaria manipular a herança. Ele até mencionava uma palavra codificada – “Águia” – que eu não entendia.
No mesmo dia, Lucas apareceu inesperadamente em casa. Olhava para mim com aquele ar sério, os braços cruzados.
— Mãe, você está bem? — perguntou, tentando soar natural.
— Estou, querido — respondi, fechando o testamento no momento certo. — Só um pouco cansada.
— Eu… queria falar sobre os negócios do papai — disse, hesitante. — Algumas coisas não parecem claras.
Senti o frio da suspeita. Lucas queria alguma informação que eu não podia dar. Tentei manter a calma:
— Tudo será resolvido no momento certo. Papai deixou tudo muito bem organizado.
— Você tem certeza? — insistiu. — E se alguém… — ele parou, como se temesse que eu não entendesse.
Naquela noite, fiquei acordada até tarde, pensando em Rodrigo e em todas as mensagens misteriosas. Quem poderia ter enviado aquilo? E o que realmente significava “não acredite nas crianças”? Minha mente girava em círculos, mas algo dentro de mim gritava que o perigo estava mais próximo do que eu imaginava.
No dia seguinte, descobri que Mariana havia ido sozinha à empresa. Meu coração apertou. Peguei o telefone e tentei ligar para ela, mas não atendeu. Uma sensação de pavor me dominou. Seria coincidência ou ela já estava envolvida em algo que eu desconhecia?
Foi quando decidi: precisava enfrentar tudo de uma vez. As respostas estavam lá, escondidas no passado de Rodrigo e nas intenções de nossos filhos. E estava preparada para descobrir a verdade, mesmo que isso mudasse minha vida para sempre.
Capítulo 3 – A Revelação
Na manhã seguinte, convidei Lucas e Mariana para conversar. A sala de estar estava silenciosa, o clima pesado. Coloquei o testamento sobre a mesa, sentindo cada batida do coração.
— Quero que vocês vejam isto — disse. — Rodrigo deixou instruções claras. Ele confiou em mim para proteger a família e as empresas.
Lucas respirou fundo e olhou para o testamento.
— Então… tudo isso era verdade? — perguntou, com a voz baixa.
— Sim — respondi. — Mas há mais. Rodrigo desconfiava de que alguém tentaria manipular a herança. Por isso, ele criou códigos, documentos secretos e… mensagens que me levaram até aqui.
Mariana parecia paralisada.
— Mensagens? — perguntou. — Você quer dizer… aquelas coisas que você recebeu no funeral?
Assenti.
— Sim. E não foram coincidência. Alguém sabia da morte dele antes de todos nós. E, de certa forma, ainda nos observa.
Lucas ficou pálido.
— Você acha que é alguém de fora? Ou… de dentro da família?
Eu respirei fundo.
— Não tenho certeza. Mas Rodrigo deixou tudo preparado para que apenas quem realmente confiava nele pudesse descobrir a verdade. E agora, precisamos decidir juntos como proteger a família e a memória dele.
Depois de longas horas de conversa, revisando documentos, emails e mensagens, compreendemos que Rodrigo havia previsto nossas dúvidas, nossas brigas, até nossas fraquezas. Ele nos deu uma escolha: deixar a ganância nos separar ou honrar sua memória e suas intenções.
Quando terminei de explicar tudo, meu celular vibrou mais uma vez. Uma última mensagem:
"Vocês escolheram o caminho certo. Obrigado."
Era impossível saber de quem vinha, mas senti Rodrigo ali, sorrindo. Pela primeira vez, percebi que, apesar da dor, da desconfiança e do medo, a verdade sempre encontra seu caminho. E que, no fim, o amor e a confiança são maiores do que qualquer fortuna.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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