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No dia em que seu pai morreu, o filho caçula, que na época estudava no exterior, apressou-se para voltar à grande casa da família. Durante o velório, um velho mordomo se aproximou silenciosamente dele, com as mãos trêmulas, entregando-lhe um pequeno papel e sussurrando, com a voz cheia de medo: —A morte do seu pai não foi natural. Tudo foi cuidadosamente planejado para tomar essa fortuna… A partir daquele momento, o jovem começou a sentir uma ansiedade sufocante ao perceber que, dentro da própria família, escondia-se um segredo sombrio e aterrorizante.

Capítulo 1 – O Sussurro no Velório


O céu sobre Salvador estava carregado de nuvens cinzentas, e a chuva começava a cair em finos fios que batiam nas telhas da antiga mansão Oliveira. O som distante dos sinos da igreja ecoava pelo bairro histórico, anunciando o funeral de Henrique Oliveira, o patriarca de uma das famílias mais influentes do estado da Bahia. Ricardo, o filho mais novo, desembarcou apressadamente no aeroporto internacional, os olhos marejados e o coração pesado. Mal podia acreditar que o homem que o havia criado com mão firme e presença impassível estava agora inerte, envolto em luto e silêncio.

Ao chegar à mansão, a cena era de pesar e contenção. Familiares e amigos se abraçavam, chorando baixinho, enquanto a governanta da casa distribuía lenços e lembranças da cerimônia. Ricardo entrou na sala principal, grande e ornamentada, com móveis de madeira escura e cortinas pesadas que absorviam a pouca luz do dia nublado. Um silêncio quase opressor se fez presente quando ele se aproximou do caixão.

Enquanto a família se agrupava, uma figura pequena e discreta chamou a atenção de Ricardo. José, o velho mordomo da casa, avançava lentamente, apoiando-se em sua bengala. Seus olhos, normalmente tranquilos, agora estavam cheios de uma ansiedade quase infantil. Quando chegou ao lado de Ricardo, colocou uma mão trêmula no ombro dele e murmurou, quase sem fôlego:

—Ricardo… você precisa ver isto… rápido.

Da mão enrugada, José tirou um pequeno pedaço de papel amarelado e o entregou ao jovem. Ricardo olhou para o bilhete e leu as palavras rabiscadas:

"São Vicente – 22h – não conte a ninguém"

O coração dele acelerou, e um frio percorreu sua espinha. O que poderia significar aquilo? Um aviso, um segredo, uma ameaça? Ele olhou ao redor, mas ninguém parecia notar a tensão crescente em seu olhar. O velho mordomo baixou a voz ainda mais:

—A morte de seu pai… não foi natural. Alguém queria isso… alguém da família.

Ricardo sentiu o chão desaparecer por um instante. A ideia de que o próprio sangue poderia conspirar contra ele parecia absurda, mas a convicção nos olhos de José era inegável.

Naquela noite, enquanto a família se recolhia aos quartos da mansão, Ricardo sentou-se sozinho na biblioteca. As sombras projetadas pelas velas dançavam nas paredes, e o cheiro de livros antigos misturado com o café fresco ecoava pelo ambiente. Ele revisitou mentalmente cada interação durante o velório: olhares trocados, gestos contidos, sorrisos falsos. Algo estava errado. Ele precisava descobrir a verdade, custasse o que custasse.

Ao cair da madrugada, Ricardo caminhou até a varanda. A cidade estava silenciosa, mas o rio São Francisco, ao longe, refletia a lua encoberta pelas nuvens, como se guardasse segredos antigos. Ele pensou no bilhete e no aviso de José: São Vicente. Um nome que evocava memórias de férias de infância, mas agora se tornava um chamado perigoso.

—Ana… —sussurrou para si mesmo— eu vou precisar de você.

Ana, sua namorada e companheira de estudos no exterior, sempre fora sua confidente, a única pessoa capaz de enxergar o mundo com ele. Ao ligar para ela, sentiu um alívio momentâneo ao ouvir sua voz calma, mas o aviso era claro: ele não podia confiar em mais ninguém dentro daquela casa. Nem mesmo nos irmãos.

A noite passou em claro. Ricardo, com o bilhete na mão e a mente fervilhando, percebeu que sua vida mudaria para sempre a partir daquele instante. O que parecia um funeral comum transformava-se no início de um jogo perigoso, onde cada palavra e cada gesto poderiam revelar ou ocultar uma verdade mortal.

Capítulo 2 – O Segredo da Ilha


Ricardo esperou o cair da noite seguinte. Munido de lanternas, caderno e a companhia silenciosa de Ana, que chegara de avião no final da tarde, partiu em direção à pequena embarcação que os levaria até São Vicente, a ilha indicada no bilhete. O vento cortante do rio São Francisco batia contra o rosto de Ricardo, trazendo o cheiro úmido da água e da vegetação próxima. Cada remada parecia conduzi-lo mais profundamente a um mistério que, temia, poderia abalar sua própria sanidade.

Ao chegar à ilha, perceberam que não havia sinais de vida, exceto por uma antiga casa de madeira, parcialmente coberta por trepadeiras e musgo. A porta rangeu ao ser aberta, revelando uma sala escura, onde papéis, caixas e equipamentos eletrônicos estavam empilhados. Ricardo engoliu em seco. Ele sabia, no fundo, que aquilo não poderia ser obra de um estranho.

Enquanto analisava os documentos, um envelope caiu de uma das caixas. Dentro, fotografias, contratos falsificados e vídeos de vigilância mostravam negociações suspeitas e… um acidente meticulosamente encenado que parecia ter ceifado a vida de Henrique Oliveira. O coração de Ricardo disparou. Entre os arquivos, reconheceu a assinatura de Rafael, seu irmão mais velho, sempre sorridente, sempre “protetor”.

—Não pode ser… —sussurrou Ricardo, a voz falhando. — Rafael… você fez isso?

Ana segurou sua mão, firme, mas preocupada:

—Temos que ter cuidado. Ele pode suspeitar se descobrir que sabemos.

Ricardo passou os minutos seguintes absorvendo cada detalhe. Rafael havia planejado não apenas a morte do pai, mas também a manipulação de todos os ativos da família: os cafezais, os imóveis, até as contas bancárias escondidas. Tudo estava meticulosamente calculado. Cada gesto, cada palavra que ele falava em público com a família era uma peça de um teatro mortal.

—José disse que podemos confiar nele —murmurou Ricardo. — Ele conhece cada canto da mansão e cada segredo que Rafael tentou esconder.

Naquela noite, voltando para Salvador, Ricardo sentiu o peso da responsabilidade. Ele precisava agir com inteligência. Confrontar Rafael diretamente seria suicídio; precisava reunir provas sólidas, planejar cada passo, e garantir que Ana e José estivessem protegidos. Mas a dúvida corroía sua mente: será que os irmãos menores já suspeitavam? Ou Rafael era o único inimigo real?

Nos dias seguintes, Ricardo começou a observar atentamente cada membro da família. Olhares trocados, sussurros nos corredores, mensagens enviadas discretamente — tudo parecia um código que ele ainda precisava decifrar. O jogo de máscaras que Rafael mantinha se desmoronava lentamente aos olhos de Ricardo, e cada descoberta aumentava a tensão: a mansão que antes representava segurança agora era um labirinto de traições.


Capítulo 3 – Justiça na Mansão Oliveira


Ricardo passou semanas montando um plano meticuloso. Com a ajuda de Ana e José, simulou negociações de venda de terras que Rafael cobiçava, enquanto discretamente gravava conversas e coletava documentos que poderiam incriminá-lo. A tensão crescia a cada dia, pois qualquer descuido poderia significar uma tragédia irreversível.

No dia marcado para a reunião final da família, a mansão estava cheia. Todos os irmãos, advogados e alguns amigos próximos estavam presentes, aguardando o anúncio de Ricardo sobre a suposta negociação imobiliária. Ele, com uma expressão calma, mas o coração acelerado, começou a apresentação.

—Antes de falarmos sobre a venda —começou Ricardo, olhando diretamente para Rafael— há algo que todos precisam ver.

Ele acionou o projetor, e as imagens do acidente e das negociações fraudulentas surgiram na tela. O choque tomou conta da sala. Rafael ficou pálido, gaguejando palavras sem sentido, enquanto a evidência documental e os vídeos falavam por si mesmos.

—Isso… isso é impossível… —balbuciou Rafael, mas ninguém mais acreditava em sua farsa.

—Você planejou a morte de nosso pai para ficar com tudo! —exclamou Ricardo, a voz firme. — Mas a verdade veio à tona.

Em poucos minutos, a polícia, já acionada discretamente por José, entrou na mansão. Rafael foi levado algemado, enquanto os demais familiares se entreolhavam, incapazes de acreditar na profundidade da traição. O silêncio pesado deu lugar a lágrimas, abraços e, finalmente, alívio.

Nos meses seguintes, Ricardo decidiu não assumir completamente o império Oliveira. Ele e Ana optaram por gerir os cafezais próximos ao São Francisco, investindo em práticas sustentáveis e mantendo o legado da família de forma ética. José continuou morando na mansão, seu olhar sereno agora livre do peso do segredo que carregara por tanto tempo.

Ricardo, olhando para o rio e para os campos verdes que se estendiam à sua frente, percebeu que a coragem e a vigilância não apenas protegeram sua família, mas também ensinaram que mesmo dentro do próprio sangue, a sombra da ganância pode se esconder. O luto pelo pai permanecia, mas a esperança, finalmente, florescia.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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