CAPÍTULO 1 – O PARAÍSO À BEIRA DO ABISMO
O som dos tambores ecoava pelo salão principal do Porto Azul, misturando-se ao riso dos convidados, ao tilintar de taças de cristal e ao cheiro salgado do mar que invadia o ambiente pelas portas abertas. Era para ser apenas mais uma noite de celebração — mas Isabela Almeida sentia o coração apertado, como se algo estivesse prestes a ruir.
— Você está linda esta noite, disse Rafael Moreira, aproximando-se por trás e pousando a mão com delicadeza em sua cintura.
Isabela sorriu, ainda que seus olhos denunciassem inquietação.
— Você sempre diz isso.
— Porque sempre é verdade.
Do outro lado do salão, Lucas observava a cena com atenção silenciosa. O sorriso do empresário não lhe parecia genuíno. Havia algo calculado demais em cada gesto, em cada palavra cuidadosamente escolhida.
— Você está encarando o Rafael de novo, cochichou Helena, aproximando-se do filho.
— Estou observando, respondeu Lucas, sem desviar o olhar.
— Observando o quê?
— O timing perfeito.
Helena franziu a testa.
— Você anda paranoico demais, Lucas.
Antes que ele pudesse responder, Eduardo Almeida subiu ao pequeno palco improvisado, ergueu a taça e chamou a atenção de todos.
— Amigos, parceiros e família, começou ele, com a voz firme. O Porto Azul completa hoje vinte e cinco anos. O que começou como um sonho simples se tornou um símbolo de excelência. E agora… estamos prontos para um novo capítulo.
Isabela sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Rafael apertou sua mão com mais força.
— Meu pai não vai…, murmurou ela.
— Confie nele, sussurrou Rafael. E confie em mim.
Eduardo continuou:
— Estamos em negociação com investidores que acreditam no futuro sustentável do turismo brasileiro.
Lucas sentiu o estômago revirar. Era aquilo. Exatamente aquilo.
Enquanto os aplausos ecoavam, Lucas se afastou do salão e saiu para o terraço, onde o vento noturno da Bahia trazia um silêncio incômodo. Pegou o celular, abriu um arquivo oculto e releu as informações que havia reunido nas últimas semanas.
Empresas fantasmas. Movimentações estranhas. Contratos com cláusulas sutis demais para serem inocentes.
— Você está fugindo da festa?
A voz de Isabela o fez se virar.
— Alguém precisa pensar enquanto todo mundo celebra, respondeu ele.
Ela cruzou os braços.
— Isso é sobre o Rafael de novo?
— É sobre a família.
— Você não o conhece.
— É exatamente isso que me preocupa.
Isabela respirou fundo.
— Ele me entende, Lucas. Ele vê em mim algo além do sobrenome Almeida.
Lucas a encarou, sério.
— Ou vê exatamente isso.
Ela se afastou, magoada.
— Você sempre acha que sabe mais do que todo mundo.
Lucas ficou ali, sozinho, ouvindo a música distante e observando o reflexo das luzes no mar. Dentro dele, uma certeza crescia como uma tempestade prestes a explodir: aquele paraíso escondia sombras profundas — e alguém precisava trazer a verdade à tona, antes que fosse tarde demais.
CAPÍTULO 2 – JOGOS DE SEDUÇÃO E PODER
As manhãs no Porto Azul sempre foram tranquilas, mas agora Lucas enxergava o resort como um tabuleiro de xadrez. Cada movimento de Rafael parecia calculado, cada conversa uma peça deslocada com precisão.
— Você é inteligente para alguém tão jovem, disse Rafael durante um café no lounge, observando o notebook de Lucas.
— E você é ousado demais para alguém que diz agir com cautela, respondeu ele, sem levantar os olhos.
Rafael sorriu.
— Ousadia move negócios.
— Ou os destrói, rebateu Lucas.
A conversa seguiu em tom amigável, mas por baixo da cordialidade havia tensão. Lucas apresentou a proposta do projeto digital com entusiasmo calculado, falando de inovação, ativos virtuais e expansão internacional.
— Isso pode triplicar o valor do Porto Azul, afirmou.
— Ou facilitar transferências fora do país, pensou em silêncio.
Rafael se inclinou para frente.
— Você tem visão, garoto. Seu pai deveria confiar mais em você.
— Ele confia, respondeu Lucas. Só ainda não sabe em quem mais confiar.
Enquanto isso, Isabela vivia dividida. Rafael era carinhoso, atento, presente. Mas pequenas atitudes começavam a incomodá-la.
— Por que você precisa tanto desses documentos agora?, perguntou ela certa noite.
— Porque o tempo é essencial, respondeu ele, acariciando-lhe o rosto. E eu quero proteger você.
— Ou controlar tudo, pensou ela, mas não disse.
Lucas continuava gravando conversas, arquivando contratos, conectando pontos. Cada descoberta tornava a traição mais evidente — e mais dolorosa.
— Você vai destruir sua própria irmã, alertou Helena ao perceber o comportamento obsessivo do filho.
— Ou vou salvá-la, respondeu ele. Mesmo que ela me odeie.
O Carnaval se aproximava, e com ele a grande apresentação do novo plano estratégico. Rafael acreditava estar no controle. Não fazia ideia de que estava sendo conduzido exatamente para onde Lucas queria.
Na véspera do evento, Lucas enviou mensagens discretas aos investidores e à diretoria, convocando-os para uma “revelação tecnológica”.
— O que você está fazendo?, perguntou Isabela, ao vê-lo ajustando os equipamentos.
— Garantindo que todos vejam a mesma verdade.
Ela sentiu medo.
— Lucas, se isso for algum tipo de armadilha…
— Então é melhor você estar sentada, respondeu ele, com tristeza nos olhos.
Ao longe, os tambores do Carnaval começavam a soar. A noite prometia brilho, dança e celebração — mas também o fim de uma ilusão cuidadosamente construída.
CAPÍTULO 3 – QUANDO A LUZ REVELA AS SOMBRAS
O salão estava lotado. Fantasias, cores, música alta. O Porto Azul nunca parecera tão vivo.
Rafael subiu ao palco confiante, pronto para apresentar o futuro.
— O turismo brasileiro está entrando em uma nova era, começou ele.
Foi então que Lucas pediu a palavra.
— Antes disso, precisamos falar do presente.
O telão se acendeu. Documentos, áudios, gráficos financeiros. Um silêncio pesado tomou conta do ambiente.
— Essas transações foram feitas sem o conhecimento da família Almeida, disse Lucas, com a voz firme. E estas gravações mostram exatamente a intenção por trás delas.
A voz de Rafael ecoou no salão, saída das caixas de som, falando sobre controle acionário, transferência de lucros, afastamento gradual da família.
Isabela levou a mão à boca.
— Isso não pode ser verdade…
Rafael tentou reagir.
— Isso é uma manipulação!
— É a sua voz, respondeu Lucas. Sua estratégia. Seu jogo.
A polícia federal entrou pouco depois. O Carnaval continuava do lado de fora, alheio ao colapso que acontecia ali dentro.
Dias depois, o silêncio substituiu a música. O nome Porto Azul foi questionado, analisado, exposto. Mas a transparência venceu.
Isabela partiu. Precisava de distância, de tempo, de silêncio. Quando voltou, meses depois, encontrou um resort diferente — mais forte, mais honesto.
— Eu errei, disse ela a Lucas, com os olhos marejados.
— Todos erramos, respondeu ele. O importante é o que fazemos depois.
Eduardo observava os filhos do terraço, o sol se pondo sobre o mar da Bahia.
— Talvez o verdadeiro legado não seja o que construímos, disse ele a Helena, mas o que conseguimos proteger.
A família Almeida permaneceu ali, diante do horizonte dourado. O paraíso ainda existia — mas agora, sem sombras escondidas. Uma nova história começava, iluminada pela verdade e pela coragem de enfrentar aquilo que quase os destruiu.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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