Capítulo 1 – A Assinatura Tremida
O sol escaldante do final da tarde iluminava as ruas de Ipanema, tingindo de ouro o litoral do Rio de Janeiro. Na grande mansão da família Costa, todos se reuniam na sala de estar, onde o ar-condicionado mal conseguia combater o calor sufocante e a tensão no ambiente. A ocasião era solene: a leitura do testamento do patriarca Antonio Costa, um homem respeitado no mundo dos negócios e símbolo do setor imobiliário e pesqueiro do Brasil.
Mariana, a segunda filha, sentou-se silenciosa em uma poltrona de veludo vermelho, observando atentamente o papel sobre a mesa de mogno. O velho advogado da família, Henrique, levantou-se com passos lentos, ajustando os óculos sobre o nariz e começando a leitura. Cada cláusula parecia pesar toneladas no ar.
— “…E deixo toda a minha participação na Costa Fish e no Grupo Imobiliário Costa para minha filha mais velha, Luisa…” — a voz de Henrique soava firme, mas Mariana mal ouviu. Foi quando ele pronunciou o nome dela:
— “…e à minha filha do meio, Mariana, deixo minha casa de veraneio em Angra dos Reis, assim como todas as minhas economias guardadas no Banco do Brasil…”
Mariana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela olhou para a assinatura do pai: tremida, insegura, quase ilegível. “Isso não está certo”, pensou, recordando o gesto firme e confiante do pai ao assinar qualquer documento. O coração bateu mais rápido.
Enquanto a família discutia os detalhes da divisão de bens, Mariana permaneceu calada. Cada sorriso forçado, cada olhar furtivo parecia esconder algo. Uma dúvida insistente crescia dentro dela: e se algo estivesse errado?
Depois do evento, à noite, enquanto a cidade respirava o calor úmido típico do verão carioca, Mariana não conseguia dormir. Ela olhou para o mar refletindo as luzes da cidade e tomou uma decisão silenciosa: precisava descobrir a verdade sobre aquele testamento, custasse o que custasse.
Capítulo 2 – O Testamento Desaparecido
Uma semana depois, Mariana caminhava apressada pelas ruas estreitas do centro do Rio, onde o aroma de café fresco e pão de queijo preenchia o ar. Ela se dirigia a um pequeno café antigo, de paredes amareladas e móveis de madeira gastos pelo tempo. Lá dentro, o cheiro forte do café e o barulho das xícaras batiam em contraste com a ansiedade que sentia.
Henrique a aguardava em um canto, com a expressão séria que só os anos de experiência podiam moldar.
— Mariana… — começou ele, a voz baixa —, existe algo que preciso te contar, algo que não foi dito durante a leitura do testamento.
Ela engoliu seco, o coração acelerado.
— O testamento que foi lido… não é o verdadeiro. O original desapareceu na noite em que seu pai sofreu o infarto. — Henrique fez uma pausa, pesando cada palavra. — Alguém o removeu antes que pudesse ser oficializado.
Mariana ficou em silêncio, o mundo girando ao redor dela.
— Como assim? Quem faria isso? — a voz dela saiu quase um sussurro, misturando choque e medo.
— Não sei ao certo — respondeu Henrique —, mas sei que há indícios de que alguém próximo à família tentou manipular os bens. Ele confiava em vocês, mas alguém traiu essa confiança.
Decidida a não se deixar intimidar, Mariana começou sua investigação. Revisou cartas antigas de seu pai, encontrou anotações em diários e observou conversas suspeitas de funcionários antigos. Cada pista a levava a uma verdade cada vez mais cruel: seu pai previu o próprio declínio de saúde e havia deixado um testamento secreto para proteger a família, mas ele fora roubado.
O peso da traição a atingiu quando começou a suspeitar de sua irmã mais velha, Luisa. Aquela que sempre se mostrara leal ao pai agora se revelava manipuladora, arquitetando um plano para tomar todo o controle da fortuna familiar. Mariana sentiu uma mistura de dor e raiva, incapaz de compreender como alguém tão próxima poderia ser tão fria.
— Eu confiei em você… — murmurou para si mesma, enquanto o vento noturno balançava as cortinas do apartamento de Henrique.
Ela sabia que precisaria de cuidado e estratégia. Um passo em falso poderia custar não apenas a fortuna da família, mas também a própria segurança dela.
Capítulo 3 – Justiça e Reconciliação
Mariana passou semanas reunindo provas: e-mails, registros bancários e depoimentos de antigos funcionários. Cada descoberta a aproximava da verdade, mas também a deixava mais cansada e ansiosa. As noites eram longas e cheias de pensamentos sobre justiça, lealdade e a memória de seu pai.
Determinada, ela decidiu levar o caso à Justiça em São Paulo. Lá, em meio à formalidade fria dos corredores do tribunal, apresentou todas as evidências contra Luisa, exigindo a verificação da autenticidade do testamento original. O processo foi tenso, cheio de olhares acusadores e murmúrios dos advogados de Luisa, que tentavam desestabilizá-la.
Durante as audiências, Mariana recordava os momentos com o pai, seu sorriso firme e o conselho: “A verdade sempre encontra o caminho”. Essa lembrança lhe dava força.
Após semanas de investigação judicial, a verdade veio à tona: o testamento original foi recuperado e validado. A distribuição dos bens seguiu exatamente a vontade de Antonio Costa. Luisa foi repreendida, perdeu o controle da empresa familiar e a confiança da família. Mariana, por outro lado, tornou-se a guardiã da herança e dos valores que o pai tanto prezara.
No final do dia, Mariana subiu ao terraço da mansão em Ipanema, contemplando o pôr do sol tingindo o mar com tons de ouro e carmesim. O vento trazia o cheiro salgado da brisa marítima e, pela primeira vez em semanas, ela sentiu uma paz tênue.
— Papai… eu cumpri sua vontade — sussurrou, com lágrimas nos olhos. — Mas a dor da traição ainda permanece.
Ela respirou fundo, observando o horizonte, sabendo que, apesar das cicatrizes emocionais, havia honrado não apenas a memória do pai, mas também sua própria força e coragem.
O som das ondas se misturava aos últimos raios de sol, e Mariana percebeu que, embora a justiça tivesse sido feita, o verdadeiro legado de seu pai era o amor e a proteção que ele sempre quis garantir à sua família.
‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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